RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Policiais civis do Rio de Janeiro prenderam nesta quarta-feira (22) Leandro Ferreira Marçal, suspeito de ser operador financeiro do ex-deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos, o TH Joias.
TH foi preso em setembro de 2025 pela Polícia Federal sob acusação de negociar armas, drogas e equipamentos para o Comando Vermelho. Em desdobramento da operação, o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar, foi preso dois meses depois, sob suspeita de vazar informações sobre operações para TH Joias.
A reportagem não identificou a defesa de Leandro Ferreira Marçal. A Polícia Civil não informou se ele apresentou advogado nesse caso.
Marçal foi preso por agentes da Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos) em Marechal Hermes, zona norte do Rio. Ele tinha mandado de prisão em aberto e era considerado foragido. Segundo a Polícia Civil, Marçal foi localizado por meio de cruzamento de dados que identificaram endereços em que ele poderia estar.
Em relatório, a PF aponta que Marçal pertencia a um “núcleo logístico” do entorno de TH Joias, que atuava como intermediário entre chefes de facções e autoridades públicas. Mantinha contato frequente com integrantes do CV e era responsável por recolher dinheiro, segundo investigação.
Marçal foi contratado como assessor parlamentar na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A nomeação no gabinete parlamentar de TH Joias, para a Polícia Civil, “servia como fachada e facilitava a circulação dos recursos ilícitos”.
Uma parte da investigação indica que os suspeitos fizeram operações de câmbio com dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Em abril de 2024, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio e apontado como traficante do CV, repassou a TH Joias R$ 5 milhões no complexo do Alemão. Parte desse valor ficou sob a guarda de Marçal, segundo a apuração.
Marçal foi condenado a seis anos e seis meses de prisão por integrar organização criminosa majorada e perda de função pública –ele já havia sido exonerado da Alerj à época das investigações.
A denúncia da Procuradoria do Rio de Janeiro aponta que TH atuava como “operador político da facção”. Em dezembro, a defesa do ex-deputado declarou que ele é alvo de perseguição política.



