SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa de Valores disparou 2,43% nesta quarta-feira (22) e encerrou o dia aos 177.547 pontos. O avanço foi impulsionado pelo cenário corporativo, com o início da temporada de balanços do segundo trimestre.
O dólar, por sua vez, fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,052. Mais cedo, às 11h04, a moeda chegou a R$ 5,050, na mínima do dia e no menor patamar intradiário em mais de um mês. A última vez que o dólar havia atingido um nível inferior foi em 16 de junho, quando recuou a R$ 5,042 durante o pregão.
Entre os destaques da Bolsa, a Weg, fabricante de motores elétricos e equipamentos de automação, saltou quase 10%, a R$ 46,60, após divulgar os resultados do segundo trimestre.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão no período, queda de 2,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Apesar do recuo na comparação anual, o resultado superou as expectativas do mercado. Analistas consultados pela LSEG (London Stock Exchange Group) projetavam lucro líquido de R$ 1,52 bilhão e Ebitda de R$ 2,12 bilhões. A companhia, porém, reportou Ebitda de R$ 2,21 bilhões.
Segundo a empresa, o desempenho foi impactado principalmente pela valorização do real e menor demanda por projetos de geração de energia renovável no Brasil.
Vale e Petrobras, empresas de maior peso no Ibovespa, também encerraram o dia em alta. A mineradora foi beneficiada pela divulgação do relatório de produção, que mostrou crescimento de 20,9% na produção de minério de ferro em relação aos três primeiros meses do ano.
Além disso, os acionistas da companhia elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do conselho de administração em assembleia extraordinária. A mudança ocorre após a Previ solicitar, em junho, a destituição de Daniel Stieler, que ocupava o cargo até o início do mês.
Já as ações da Petrobras acompanharam a valorização do petróleo, impulsionada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Às 17h12, o barril do Brent era negociado a US$ 93, com alta de 3%.
O avanço da commodity ocorre após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar os ataques ao Irã na região de Kolang Gazla, onde haveria uma instalação nuclear fortemente protegida.
“Vamos atacar essa área muito em breve, e com muita força”, afirmou. A promessa da ação militar ocorre em um momento de crescente ansiedade entre os operadores de petróleo. Isso porque o trânsito de petróleo pelo estreito de Hormuz diminuiu drasticamente nos últimos dias e os estoques globais caíram para níveis criticamente baixos.
Com isso, o barril do Brent, referência internacional da commodity, chegou a US$ 95,47, o maior valor desde 11 de junho, quando havia atingido US$ 95,50.
Apesar da alta de algumas empresas, Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, afirma que o setor financeiro limitou parte dos ganhos do Ibovespa. “O resultado do Santander foi recebido de forma negativa pelos investidores, pressionando as ações do banco e influenciando o desempenho de parte do setor ao longo do pregão”, diz.
No Brasil, o dia também marcou o início da cobrança pelos EUA da tarifa de 25% sobre um conjunto de produtos brasileiros, que pode impactar o fluxo de dólares para o Brasil.
A decisão do governo Trump afeta cerca de 3 mil itens e foi tomada a partir de uma investigação da Seção 301, feita pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), que examina práticas comerciais consideradas injustas.
A investigação concluiu que práticas brasileiras restringem os negócios de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos.
Exportadores temem que o aumento das tarifas aprofunde a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 12,8% no primeiro semestre, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), fechando em US$ 36,4 bilhões (R$ 184,8 bilhões), com saldo favorável aos Estados Unidos em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões).
Diego Barnuevo, analista de mercado da Ebury, afirma que o impacto econômico deve permanecer, em grande medida, restrito a setores específicos das atividades primária e secundária. Segundo ele, os efeitos mais amplos sobre a economia brasileira tendem a ser amenizados pelas amplas isenções concedidas pelo governo dos EUA e pela capacidade dos exportadores brasileiros de diversificar gradualmente seus mercados de destino para a China, outros países da Ásia e a Europa.
No mercado de juros futuros, o dia foi de leve alta. Às 17h09, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,190%, avanço de 0,04 ponto percentual ante a sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,705%, com elevação de 0,04 ponto percentual.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos título de renda fixa dos EUA, referência global para decisões de investimento subia 0,02 ponto percentual, a 4,656%.
Em Nova York, as bolsas assumiram uma postura cuidadosa antes da divulgação dos balanços de empresas de tecnologia, que acontece após o fechamento dos mercados nesta quarta, com destaque para os resultados da Alphabet, dona do Google, e da Tesla.
O Dow Jones recuou 0,01%, o S&P 500 caiu 0,09% e o Nasdaq recuou 0,57%.
Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, diz que o cenário ainda é de cautela e pode mudar devido ao balanço das companhias.
“Vale ficar de olho também na eleição de 2026, que já está entrando no radar do prêmio de risco doméstico e, sem dúvida, ainda deve trazer bastante volatilidade ainda mais com a divulgação de pesquisas eleitorais”, afirma Bassani.



