WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – A indicação de Daniel Perez, escolhido pelo governo Donald Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, avançou no Senado nesta quarta-feira (22). O Comitê de Relações Exteriores aprovou seu nome, que agora vai para votação no plenário.

A expectativa é que Perez, aprovado por 13 votos a 8, seja incluído em um pacote de nomeações que o Senado pretende votar antes do recesso parlamentar, previsto para o fim do mês. A lista, porém, ainda não foi fechada.

Dos 13 votos favoráveis, 11 vieram de senadores republicanos e dois de democratas. O resultado é visto como uma vitória para Perez, já que ele recebeu o apoio de dois dos principais nomes da oposição na comissão: Tim Kaine, que preside a Subcomissão para o Hemisfério Ocidental (responsável pela América Latina e Caribe), e Jeanne Shaheen, vice-presidente do Comitê de Relações Exteriores.

A votação torna ainda mais provável que Perez entre no pacote de nomeações ainda neste mês. Os oito votos contrários foram de senadores democratas.

Caso aprovado, com o envio de Perez ao Brasil, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana em Brasília é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.

Na semana passada, o cubano-americano foi sabatinado pela comissão. Na ocasião, destacou interesses econômicos compartilhados entre Brasil e Estados Unidos, como os minerais críticos, afirmou que organizações criminosas transnacionais “ameaçam comunidades americanas” e, em conversa com jornalistas após a audiência, disse acreditar que o Brasil realizará eleições “livres e justas”.

Durante a sabatina, o senador democrata Tim Kaine questionou Perez sobre a tarifa de 25% imposta pelos EUA a produtos brasileiros. O indicado respondeu que, como a medida havia sido anunciada na noite anterior, ainda não tinha tido tempo para analisar seus detalhes.

Kaine rebateu afirmando que os EUA registram superávit comercial na relação com o Brasil e que uma eventual retaliação do governo Lula poderia prejudicar exportadores americanos. Depois da audiência, Perez reconheceu que o superávit americano é um fato, mas reiterou que precisava compreender melhor o alcance das novas sobretaxas.