RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Os acionistas da Vale elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do conselho de administração, em assembleia extraordinária realizada nesta quarta-feira (22). Ollie era apoiado pela Previ, que forçou a troca antecipado no comando do colegiado da mineradora.

O resultado da eleição, porém, trouxe um revés para a fundação que gere a aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, com a derrota de José Maurício Coelho, seu indicado para a vaga deixada pelo ex-presidente do conselho, Daniel Stieler.

Indicado pela própria Previ, Stieler presidia o conselho e renunciou há duas semanas por pressão da fundação. A saída é alvo de apuração da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), depois que um investidor questionou pacote financeiro dado ao executivo para deixar o cargo.

Na assembleia desta quarta, os acionistas decidiram quem ocuparia a vaga no conselho e, dentre os conselheiros, quem presidiria o colegiado. A eleição para a vaga de Stieler foi vencida por Ieda Gomes, com votos de detentores de cerca de 60% das ações da companhia.

Coelho, o candidato da Previ, recebeu cerca de 15% dos votos. Foi uma grande derrota para a fundação, que tradicionalmente tinha duas cadeiras no colegiado. Agora, tem apenas um representante, Marcio Chiumento, que preside a Previ desde novembro de 2025.

Procurada pela reportagem, a fundação, maior acionista individual da mineradora, disse que não comentaria o assunto.

Eleito entre os conselheiros para presidir o colegiado, Ollie atuava como líder dos membros independentes e é bem relacionado com grandes gestoras de recursos que têm interesses na mineradora. Ele indicou, em nota, que a estratégia da companhia será mantida.

“Reafirmo o nosso compromisso inabalável com o planejamento estratégico de longo prazo, assegurando a disciplina na alocação de capital e a retomada sustentável e consistente do protagonismo global da Vale”, afirmou.

A eleição, porém, foi questionada por investidores minoritários. Em carta à Vale, as gestoras Plural Investimentos e Banco Clássico, afirmaram que o apoio da Previ a Ollie contraria a governança da companhia, que prevê a nomeação de candidato independente entre lista sugerida por comitê interno.

A Vale respondeu que a Previ não indicou, mas apoiou, Ollie e que o novo presidente do conselho se comprometeu a atuar de forma independente.

O mandato de Ollie vai até abril de 2027, quando terminam os mandatos dos 12 membros do conselho de administração da Vale. A Previ se comprometeu, em meio à crise gerada pela pressão sobre Stieler, que não indicará candidato a presidir o colegiado.