SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A morte do produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, aos 98 anos, provocou uma onda de homenagens de artistas nesta quarta-feira (22). Considerado um dos principais produtores da história do cinema brasileiro, ele foi lembrado como figura central na consolidação da indústria cinematográfica nacional e responsável por viabilizar algumas de suas obras mais importantes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias e afirmou que o cinema brasileiro “deve muito” a Barretão. Em mensagem publicada nas redes sociais, o presidente disse que o produtor foi “o mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos” e destacou seu “amor pelo Brasil”, além do papel decisivo que desempenhou na construção do audiovisual do país. Lula também prestou solidariedade à viúva, a produtora Lucy Barreto, aos filhos Paula e Bruno Barreto e aos demais familiares.
Entre os artistas, Fernanda Torres resumiu a dimensão da perda em uma publicação nas redes sociais. “O maior. Devo a ele a minha entrada no cinema, e o cinema deve a ele tudo”, escreveu a atriz, que estreou nas telas em “Inocência” (1983), produção da LC Barreto.
Fernanda Montenegro também se pronunciou em suas redes sociais e escreveu que “Luiz Carlos Barreto foi e é, para sempre, o corajoso desbravador e completo realizador da cultura cinematográfica do Brasil. Não há reposição de peça”.
O ator Matheus Nachtergaele, emocionado em entrevista à GloboNews, afirmou que sua trajetória também foi marcada pelo produtor. “A história do nosso cinema não seria a mesma sem o Luiz Carlos. A minha, com certeza, não”, disse, lembrando que seu primeiro grande papel no cinema veio em “O Que É Isso, Companheiro?”, dirigido por Bruno Barreto.
A atriz Gloria Pires também prestou homenagem. Em uma publicação no Instagram, chamou Barretão de “guerreiro do cinema brasileiro” e enviou uma mensagem de carinho à família Barreto, com quem mantém relação próxima.
O legado do produtor foi lembrado ainda por profissionais da indústria. Rodrigo Teixeira, produtor indicado ao Oscar por “Ainda Estou Aqui” e que iniciou a carreira na LC Barreto, afirmou que sua morte representa “uma grande perda” e definiu Barretão como “sinônimo do cinema brasileiro” e uma inspiração para novas gerações de produtores.
O ator Vinícius de Oliveira, que interpretou Josué em “Central do Brasil”, afirmou que Barretão ajudou a “forjar a cara do cinema nacional”.
As homenagens também vieram de instituições ligadas ao setor. A Abraplex, associação que representa as principais redes exibidoras do país, ressaltou a contribuição do produtor para aproximar o público do cinema nacional. Em nota, afirmou que seus filmes figuram entre os maiores sucessos de bilheteria da história do país e ajudaram a fortalecer, ao longo de décadas, o vínculo dos brasileiros com as salas de exibição e com a produção nacional.
O Festival de Cinema de Gramado afirmou que o audiovisual brasileiro perde “um de seus maiores nomes” e destacou que sua visão e dedicação permanecem “eternizadas na memória do cinema brasileiro”.
Amigo de longa data de Barretão, o diretor e roteirista José Joffily destacou o entusiasmo do produtor como uma de suas principais marcas. Segundo ele, Luiz Carlos Barreto exercia uma liderança natural e transmitia confiança em torno do cinema brasileiro. “Era uma identidade que nos representava, com um entusiasmo e um otimismo que contagiavam todos nós”, afirmou à GloboNews.
As homenagens se estenderam também à esfera política. O ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo afirmou que o Brasil perde “uma de suas maiores figuras da cultura” e lembrou que Barretão sempre defendeu a democracia e a cultura como valores inseparáveis.
Na família, o neto Gabriel Barreto publicou uma mensagem emocionada nas redes sociais. “Achei que você ia sobreviver a todos nós”, escreveu. “Ele foi um gigante para nossa família e para o Brasil. Era uma estrela polar para mim.”



