SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) criticou a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou que a prefeitura autorize a Uber a operar o serviço de transporte por motocicletas. “Querem uma carnificina”, disse à Folha de S.Paulo, na manhã desta quarta-feira (22).

A gestão municipal tem prazo de 48 horas para cumprir a ordem, sob pena de multa diária de R$ 5.000. Cabe recurso da decisão.

Nunes disse que a administração municipal ainda não foi notificada, mas vai recorrer da decisão.

A cidade registrou 475 mortes de motociclistas em 2025, segundo dados do Infosiga. No primeiro semestre deste ano foram 238 mortes de condutores de moto.

O prefeito ressaltou que mais da metade das vítimas de acidentes de trânsito atendidos nas unidades da Rede Lucy Montoro da capital paulista estavam em motocicletas. Destes, 58% ficaram paraplégicos e 20% sofreram amputações, disse o prefeito.

“Não estão satisfeitos com esses dados trágicos, querem que morram mais, que fiquem mais paraplégicos, que mais sejam amputados”, disse Nunes.

A Uber afirmou que a decisão do TJSP confirma a legalidade da sua operação e reafirma seu compromisso com a segurança de usuários e parceiros, que contam com seguro de acidentes pessoais em todas as viagens realizadas pela plataforma.

“A empresa seguirá trabalhando para ampliar as opções de mobilidade para os paulistanos, oferecendo uma alternativa eficiente, acessível e já consolidada em diversas metrópoles brasileiras”, afirmou.

A decisão da juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública, é mais um capítulo na briga judicial entre o prefeito e as empresas de aplicativos que querem oferecer a modalidade de mototáxi.

A juíza ainda rejeitou os argumentos da gestão municipal para barrar o serviço. Na semana passada, o Comitê Municipal de Uso do Viário indeferiu o pedido de credenciamento com a justificativa de falta de uma assinatura na documentação de seguro de acidentes pessoais.

A juíza aceitou o recurso da empresa e entendeu que esse ponto já havia sido cumprido anteriormente.

As plataformas de aplicativos argumentam que a autorização para o serviço se baseia em norma federal. Já a gestão Nunes diz que a modalidade de mototáxi oferece muitos riscos à segurança dos passageiros.

A magistrada classificou a falta de autorização como desrespeito ao cumprimento de ordens judiciais anteriores que liberavam o serviço.