BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo e lideranças do centrão apontam erro estratégico de Flávio Bolsonaro (PL) na declaração desta terça-feira (21) contra as urnas eletrônicas. Integrantes do PT afirmam que o discurso acabou com a tentativa de moderação do pré-candidato à Presidência. Já o centrão aponta que o senador atraiu para si um tom derrotista ao tentar resgatar um assunto considerado pelo grupo como “página virada”.

“A tentativa de apresentar Flávio como um candidato moderado era uma estratégia fadada ao fracasso. Ele é o que é, um bolsonarista raiz, e como tal flerta com o golpismo, os ataques às instituições e com uma postura submissa, entreguista a interesses estrangeiros. A melhor definição de Flávio partiu de Donald Trump: Bolsonaro Júnior”, disse à reportagem o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares.

Desde que assumiu sua pré-candidatura, Flávio Bolsonaro tem tentado passar uma imagem de moderação, pelo menos em comparação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação do PL era que, se não apostasse nos mesmos discuros do pai, ele poderia recuperar parte dos eleitores de centro e vencer o presidente Lula (PT) na eleição de outubro.

Apesar disso, Flávio passou a enfrentar dificuldades de manter esse discurso, principalmente diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, logo após o pré-candidato visitar Donald Trump e tirar uma foto com o presidente estadunidense. Nesse sentido, a associação, já desmentida, de relação entre urnas brasileiras e uma empresa venezuelana piorou esse cenário.

O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) defendeu a retirada de Flávio da corrida eleitoral. “Acho que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) devia não deixar ele ser candidato. O cara não confia na urna eletrônica, como participa de um pleito que acha que não tem segurança?”, afirmou.

No centrão, integrantes de partidos com quem Flávio manteve diálogo, do PP, ao União Brasil e Republicanos, dizem que a declaração só não atrapalhou uma aliança com a sigla porque elas já tinham descartado uma adesão formal à candidatura do PL à Presidência da República.

Anteriormente, parte do centrão havia colocado a moderação como pré-requisito para uma eventual aliança com Flávio Bolsonaro. Uma ala aponta que, ao por em xeque a confiabilidade das urnas, o senador não só voltou a um assunto considerado “página virada” como assumiu um tom de “derrotismo” no pleito de outubro.

O grupo diz que tal estratégia, de reunir diplomatas para atacar o sistema de votação nacional, não rendeu bons frutos ao pai de Flávio Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e atacou as urnas. Ele foi condenado pelo TSE, ficando inelegível por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Enquanto isso, um interlocutor da pré-campanha de Flávio Bolsonaro minimiza o impacto. Ele argumenta que, nas bolhas da direita, houve pouca atenção para o discurso do pré-candidato sobre as urnas eletrônicas.

Reconhece, porém, que a fala municiou influenciadores da esquerda para explorarem o assunto nas redes sociais.