SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Justiça de Minas Gerais converteu nesta quarta-feira (22) a prisão do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a própria esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de flagrante para preventiva.
Juiz entendeu que sargento deve permanecer preso para “a garantia da ordem pública”. A decisão foi confirmada hoje pelo TJ-MG.
O caso está em segredo de Justiça e outros detalhes sobre o processo não foram divulgados. Segundo a Justiça, o sigilo foi requerido para “resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada, dos envolvidos”.
A reportagem entrou em contato com o advogado do sargento para saber se a defesa vai se pronunciar após o resultado da audiência. O espaço está aberto para manifestação e será atualizado se houver posicionamento.
RELEMBRE O CASO
A capitã Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, na noite da segunda-feira. A morte da mulher foi constatada por equipes do hospital, que acionaram a polícia.
Primeira informação dada pelo sargento à equipe médica foi de que a companheira havia caído da escada. Médicos observaram, no entanto, sinais de violência pelo corpo dela e acionaram a polícia, que prendeu o suspeito ainda na unidade hospitalar.
Sargento alegou que a companheira recusou atendimento médico logo após a queda. Em depoimento, ele declarou que os dois dormiram e, depois de algumas horas, percebeu que Michele não respondia a estímulos – o que fez com que a levasse ao Odilon Behrens.
À polícia, os médicos relataram sinais de que a vítima tinha morrido de quatro a seis horas antes de ser levada ao hospital. Um vídeo obtido pela polícia mostra o sargento carregando o corpo da vítima no prédio em que eles moravam e levando até o carro que estava na garagem.
O sargento foi preso em flagrante pela “pluralidade de lesões no corpo da vítima”, segundo a Polícia Civil. Entre as lesões estavam um traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e uma “lesão muito contundente na face da vítima”.
O homem também alegou ter tido relação sexual consensual com prática de agressões físicas -que, segundo ele, era comum entre os dois. Em seu relato, ele disse que haviam participado, momentos antes, de uma confraternização com bebidas alcoólicas e ecstasy.
Ainda no hospital, sargento descartou uma cartela de 18 comprimidos de ecstasy na lixeira. O flagra foi feito por um tenente acionado para acompanhar a ocorrência, para quem o suspeito havia pedido permissão para ir ao banheiro.
Defesa do sargento diz que é imprescindível aguardar a conclusão das investigações e dos laudos periciais. Em nota, o advogado Gustavo Nepomuceno argumentou que se deve evitar “qualquer julgamento precipitado” e que todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes.



