BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Grupo Bimbo tenta evitar o leilão da marca de pães Nutrella, marcado para esta sexta-feira (24), ao tentar convencer o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de que o comprador indicado pela empresa atende aos requisitos do acordo firmado para aprovar a aquisição da Wickbold.

Na sexta-feira passada (17), a companhia protocolou novos documentos em resposta às exigências feitas pelo presidente do Cade, Diogo Thomson, que adiou o certame em uma semana para permitir a complementação das informações, após apontar que as empresas indicadas para comprar a Nutrella não cumpriam os pré-requisitos determinados pelo Cade.

O despacho de Thomson foi homologado por unanimidade pelo tribunal do Cade, conforme publicado nesta terça-feira (21), mas a documentação apresentada pela Bimbo ainda está em análise pelo presidente do conselho. Caso ele aceite o comprador indicado pela empresa, a Nutrella não irá a leilão. A decisão do presidente pode ser publicada até esta quarta-feira (22), segundo apurou a Folha.

Quando aprovou a compra da Wickbold pela Bimbo, em setembro do ano passado, o órgão de defesa da concorrência determinou que a Bimbo teria de vender a marca Tá Pronto, de tortilhas e wraps, da Wickbold, e a Nutrella, de pães especiais. A Bimbo detém marcas como Pullman e Rap10.

Integrantes do Cade criticam a empresa, sob o argumento de que ela descumpriu os prazos indicados pelo órgão para realizar o desinvestimento. Procurada, a companhia não se manifestou.

Para a Bimbo, o leilão representa o pior cenário porque reduz seu controle sobre o processo de venda da Nutrella. Pelo acordo firmado com o Cade, o certame é conduzido pelo mandatário de desinvestimento e ocorre sem preço mínimo, o que pode resultar na alienação da marca por um valor inferior ao esperado.

No despacho da última semana, o presidente Diogo Thomson afirmou que a análise sobre a potencial compradora deveria ser baseada em um conjunto de elementos mais robusto, diante da relevância da determinação.

Por isso, determinou que a Bimbo e a empresa interessada apresentassem documentos capazes de demonstrar, entre outros pontos, a existência de um compromisso contratual efetivamente vinculante, a capacidade financeira e operacional para explorar a marca Nutrella e um plano de negócios que assegure a manutenção da competitividade do ativo após o desinvestimento.

O presidente do Cade também exigiu garantias de que a eventual compradora atuará de forma autônoma e independente da Bimbo após a operação, sem vínculos societários, comerciais ou operacionais que possam comprometer a efetividade do remédio concorrencial.