SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse nesta terça-feira (21) em audiência no Senado que a guerra no Irã já custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões) aos cofres públicos americanos.

Trata-se de um aumento de US$ 12 bilhões em relação a estimativa dada por Hegseth no final de abril, pouco antes do anúncio do cessar-fogo entre Washington e Teerã. Desde então, os países em guerra voltaram a trocar ataques.

O valor foi apresentado no âmbito do processo em que o Pentágono pede US$ 70 bilhões extras ao Congresso em “gastos militares emergenciais”. O Departamento de Defesa diz precisar de US$ 46 bilhões para expandir linhas de produção e acelerar a entrega de munições como bombas de precisão, mísseis hipersônicos e sistemas antidrones.

“Este é um novo pedido baseado nas novas realidades do mundo que enfrentamos, à altura desse momento”, disse Hegseth aos senadores.

A solicitação enfrentou resistência do Partido Democrata. “Este governo tentou vender isso como um pedido emergencial, mas pode ser melhor entendido como uma tentativa de contornar o processo orçamentário normal”, disse a senadora Patty Murray, democrata de Washington, a principal política de oposição no comitê orçamentário.

“O problema não é falta de dinheiro, mas planejamento inadequado”, disse ela. “Então vou ser direta. A verdade é que seu pedido não faz muito sentido.”

Hegseth culpou o governo Joe Biden pelo tamanho do pedido de financiamento emergencial do Pentágono.

“Esse tipo de gasto é necessário devido à negligência grosseira e do descaso do governo Biden dentro do nosso departamento”, disse Hegseth. Ele falou sobre a necessidade de modernizar as Forças Armadas, já que a guerra está mudando rapidamente com o advento de drones baratos e abundantes.

Normalmente, os esforços de modernização do Pentágono deveriam ser pagos através do orçamento regular, em vez de pedidos suplementares emergenciais.

O orçamento completo do Pentágono em 2026 é de quase US$ 1 trilhão, e o governo Donald Trump já disse que pretende pedir um aumento de 50% nesse valor para 2027, elevando gastos militares a US$ 1,5 trilhão.

Se aprovada pelo Congresso, essa quantia tornaria as Forças Armadas dos EUA mais caras do que os exércitos de China, Rússia, Alemanha, Índia, Reino Unido, Ucrânia, Arábia Saudita, França, Japão, Israel, Itália, Coreia do Sul, Polônia, Espanha, Canadá, Austrália, Turquia e Holanda somados, de acordo com estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

Também elevaria o gasto militar a quase 5% do PIB americano (US$ 38 trilhões, o maior do mundo), valor considerado elevado e que só é menor do que o de países como Ucrânia, Rússia, Israel e Arábia Saudita. Em comparação, o Brasil, vigésimo primeiro país em gasto militar bruto, atrás da Argélia, investiu cerca de 1,1% do PIB em Defesa em 2025 –foram US$ 24 bilhões, o maior valor da América Latina.