SÃO PAULO, SP E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Um mapa sintético consolidado para a assembleia geral extraordinária da Vale mostra Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o “Ollie”, à frente de Marcelo Gasparino. Indicado pela Previ, Ollie disputa a presidência do conselho de administração da companhia.

Com 48,5% dos votos de acionistas, Ollie tem 1.292.298.490 votos favoráveis contra uma rejeição de 49.174.968. Gasparino, atual vice-presidente do conselho, conta com 746.237.752 aprovações e uma rejeição maior, de 889.014.019.

As abstenções, contudo, são maiores para Manuel Lino, que conta com 724.558.289 votos, enquanto seu adversário contabiliza 430.779.976.

Uma fonte próxima à gestão da mineradora chamou a atenção para a pouca rejeição de Ollie, a alta de Gasparino e o fato de que nem todos os acionistas votam. “Entre 15% e 25% não votam, são abstenções; devem ser 85% de votos [no total].”

Até o momento, os votos correspondem a 2.066.031.747, o que não inclui os detentores de ADRs (American Depositary Receipts), que serão representados na assembleia da quarta-feira (22) pelo JPMorgan Chase Bank. Uma assembleia extraordinária convocada pela Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, acontece de forma digital na quarta-feira (22) às 10h.

A eleição do presidente do conselho visa preencher o espaço deixado pelo ex-presidente Daniel Stieler, após ele renunciar ao cargo por pressão da Previ. A renúncia está sendo investigada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Apesar de não compartilhar detalhes da investigação, a reportagem apurou que a apuração é voltada a notícias sobre uma compensação financeira aprovada para que Stieler renunciasse.

Os maiores acionistas da Vale são a Previ, com cerca de 8%, o conglomerado japonês de energia Mitsui, com aproximadamente 6%, e a gestora de ativos BlackRock, que também detém por volta de 6% da companhia.

Considerada uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale enfrenta uma disputa interna entre seus acionistas -o que chega a envolver o governo. Como apurou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, há acusações de que o governo Lula tentou interferir no resultado da eleição, com conselheiros da empresa resistindo a reuniões com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele nega qualquer interferência.