SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Irã voltou a atacar na noite de segunda-feira (20) uma usina de dessalinização de água no Kuwait, elevando o temor de uma crise no abastecimento para os cerca de 60 milhões de habitantes dos seis países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo.

Segundo o governo kuwaitiano, a instalação funcionava em conjunto com uma central de energia elétrica, como é comum na região. Houve incêndios, que só foram controlados nesta terça (21), quando o país voltou a ser bombardeado, desta vez com Teerã tendo como alvo bases militares usadas pelos americanos.

O risco à infraestrutura, presente desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, faz parte da estratégia da teocracia na fase atual da guerra, recomeçada de forma mais restrita por Donald Trump em resposta a ataques iranianos contra petroleiros.

A decisão do americano encerrou o acordo de trégua de 60 dias assinado há um mês, mas o conflito está escalando progressivamente, sem um retorno às cinco semanas originais da guerra, com ataques generalizados.

Na semana passada, Trump subiu mais um degrau, bombardeando pontes e um aeroporto no rival, ainda que não cumprindo sua promessa de destruição ampla.

Teerã então passou a fazer ataques pontuais como o de segunda, que, segundo a Guarda Revolucionária, também atingiu instalações da gigante de e-commerce Amazon no Bahrein. Na semana passada, já havia atingido uma usina de dessalinização kuwaitiana.

A infraestrutura de abastecimento de água é especialmente sensível na região desértica. Segundo dados mais recentes do Fórum de Dessalinização do Oriente Médio e Norte da África, a dependência dos países do Golfo é enorme.

No Kuwait, por exemplo, 90% da água potável vem da dessalinização, índice que chega a 100% no Bahrein e Qatar. Na Arábia Saudita, que tem a maior produção na área, é de cerca de 50%. Quando analisada a dependência total de água, contando aquela usada não para beber, a taxa cai um pouco.

Hoje, 60% da capacidade instalada do mundo para dessalinização está no Golfo, com cerca de 400 usinas. O Irã tem algumas para atender regiões mais remotas e ilhas, mas no geral não depende da tecnologia.

A violência continuou na noite de segunda para terça. Prometendo vingança pela morte em combate de quatro soldados no fim de semana, os EUA voltaram a bombardear regiões no sul e no oeste do Irã.