SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Polícia Civil de Pernambuco concluiu o inquérito sobre o caso de suspeita de envenenamento por mercúrio contra uma professora de artesanato. A vítima, de 43 anos, afirma que a mãe de um aluno adicionou a substância à sua garrafa de água durante meses.
O inquérito indiciou a suspeita por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe. Em coletiva de imprensa no Recife, o delegado José Custódio afirmou que a principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado por ciúmes. Segundo a polícia, o companheiro da investigada mantinha uma amizade com a vítima, o que provocava conflitos no relacionamento do casal.
A investigação reúne laudos periciais e exames clínicos. Segundo a Polícia Civil, os exames detectaram mercúrio no sangue e na urina da vítima, indicando uma intoxicação recorrente por pelo menos oito meses.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que decidirá se oferece denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso. Se a denúncia por tentativa de homicídio for recebida, o processo será julgado pelo Tribunal do Júri.
A polícia diz que, durante o interrogatório, a investigada negou ser a pessoa que aparece nas imagens e afirmou não ter colocado qualquer substância na garrafa da vítima. Para o delegado, porém, a negativa da investigada não compromete a consistência das provas reunidas.
Ao UOL, a defesa da indiciada disse que não comentará o assunto. Ana Maristela Trajano, advogada da suspeita, disse que “a defesa será feita no momento oportuno”.
O inquérito tramita na Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. A artesã Denny Cardoso afirma que começou a desconfiar de que havia algo errado com a água que levava diariamente ao trabalho após notar “bolinhas” no líquido. Depois de perceber a presença frequente da suspeita, que acompanhava as aulas de artesanato do filho no projeto social onde ela atuava como voluntária, decidiu deixar o celular gravando a garrafa por alguns dias.
Ela registrou imagens, compartilhadas com o UOL, que mostram a suspeita colocando uma substância na água. A vítima afirma apresentar sintomas desde 2024, enquanto os vídeos reunidos pela investigação são de 2025 e mostram mais de um episódio de suposta adulteração da garrafa.
Após os registros, Denny procurou a polícia duas vezes. Na primeira, registrou um boletim de ocorrência. A garrafa e os vídeos foram apreendidos para investigação. Em seguida, comprou uma nova garrafa idêntica à anterior e voltou a gravar as imagens. Segundo ela, “o objetivo era conseguir um flagrante, para não restar dúvidas”.
Dois dias depois, um novo vídeo teria registrado a suspeita colocando uma substância na garrafa. Denny acionou a polícia enquanto a mulher ainda estava no local, e ambas foram conduzidas à Central de Plantões da Capital para prestar depoimento.
Segundo o boletim de ocorrência da segunda abordagem, a suspeita negou ter adulterado a garrafa e foi liberada por não haver situação de flagrante. A bolsa da mulher, a segunda garrafa e o novo vídeo foram apreendidos para perícia. Posteriormente, um laudo toxicológico confirmou a presença de mercúrio no organismo da vítima, de acordo com a investigação.
Para custear exames e o tratamento, a artesã criou uma vaquinha na internet. “Minha prioridade é conseguir avaliações especializadas que esclareçam meu quadro atual, o prognóstico e as possibilidades de recuperar minha autonomia e qualidade de vida”, diz o texto da campanha.




