SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta terça-feira (21), com investidores acompanhando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e os sinais de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Às 15h36, a moeda norte-americana caía 0,33%, cotada a R$ 5,071.

No mesmo horário, o petróleo Brent subia 1,95%, negociado a US$ 91 por barril. Uma nova troca de ataques entre os dois países mantém os mercados sob pressão. Por outro lado, a perspectiva de mediação e de retomada das negociações ajuda a reduzir a aversão ao risco.

O Ibovespa oscilava, com leve alta de 0,01%, aos 173.474 pontos. Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a sessão desta terça é guiada principalmente pelo risco geopolítico, pelas expectativas em torno da divulgação dos dados de produção e vendas da Vale referentes ao segundo trimestre e pela leitura sobre os juros, fatores que deixam o Ibovespa mais sensível a mudanças de humor.

Em um pregão mais esvaziado de indicadores econômicos, o Ibovespa deve reagir principalmente ao fluxo de notícias e ao desempenho de Petrobras, Vale e bancos, que costumam concentrar boa parte do volume negociado e ajudar a definir a direção do mercado. Segundo Araújo, os dados de produção e vendas da Vale podem ajustar as expectativas para o balanço da companhia, previsto para a próxima semana.

Às 15h42, os papéis da empresa contavam com avanço de 0,62%.

O especialista diz que o mercado espera um segundo trimestre forte para a mineradora, embora as perspectivas para os próximos meses sejam menos favoráveis devido à expectativa de desaceleração dos preços do minério de ferro, principalmente por causa da China.

“Isso tem pressionado um pouco a cotação da empresa, que saiu do patamar de R$ 90 por ação para a faixa de R$ 70. Mas, novamente, o próximo relatório deve trazer números positivos de produção”, afirma.

Em relação aos últimos acontecimentos no Oriente Médio, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou na segunda-feira (20) ter atingido alvos militares americanos em diferentes pontos da região, após mais uma noite de bombardeios dos Estados Unidos contra cidades iranianas.

A segunda-feira marcou o nono dia consecutivo de ataques entre os dois países. As ofensivas encerraram o cessar-fogo firmado no mês passado, que havia proporcionado um alívio temporário aos mercados.

A nova fase do conflito deslocou o foco para a via marítima, especialmente para o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Ainda na segunda, tanto os Estados Unidos quanto o Irã sinalizaram disposição para retomar as negociações em busca de uma trégua para o conflito.

Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores apresentaram à Teerã uma proposta que prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.

O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que “se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta”. No entanto, acrescentou que o “comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude”.

Apesar dos sinais de retomada das negociações, a guerra segue se expandindo. Os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram que impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita. A medida abre uma nova frente no conflito e amplia os riscos para o abastecimento global de energia para além da região do Golfo.

No Brasil, os investidores também acompanham a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que deve entrar em vigor nesta quarta-feira (22).

Além disso, Trump deve anunciar ainda nesta semana novas tarifas sobre dezenas de países, substituindo a alíquota global de 10% que expira no fim desta semana. A decisão ocorre apesar dos alertas de seus assessores sobre os riscos econômicos de uma nova escalada da guerra comercial.

Segundo Otávio Araújo, no cenário doméstico o mercado também acompanha com atenção novas declarações de autoridades monetárias, em busca de sinais sobre a trajetória da Selic, já que os próximos passos da política monetária pode influenciar tanto a Bolsa quanto a curva de juros.

Às 15h43, a taxa do DI para janeiro de 2028 se manteve estável e estava em 14,125%. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 avançava 0,04 ponto percentual, para 14,645%.

No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -referência global para decisões de investimento- contava com avanço de 0,79%, em 4,628%.

Em Wall Street, os principais índices avançavam, indicando uma recuperação após acumularem perdas nos três pregões anteriores, em meio às incertezas sobre os investimentos em inteligência artificial e ao conflito no Oriente Médio.

Às 15h45, o Dow Jones subia 0,73%, o S&P 500 avançava 0,86% e o Nasdaq registrava alta de 1,40%.