SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em leve queda nesta terça-feira (21), com investidores acompanhando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e os sinais de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Às 11h08, a moeda norte-americana caía 0,21%, cotada a R$ 5,077.
Uma nova troca de ataques entre os dois países mantém os mercados sob pressão. Por outro lado, a perspectiva de mediação e de retomada das negociações ajuda a reduzir a aversão ao risco. Na manhã desta terça, o petróleo Brent subia 2,24%, negociado a US$ 91 por barril.
A Bolsa oscilava durante a manhã. Às 11h11, o Ibovespa registrava leve queda de 0,13%, aos 173.136 pontos. Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a sessão desta terça deve ser guiada principalmente pelo risco geopolítico, pelas expectativas em torno da divulgação dos dados de produção e vendas da Vale referentes ao segundo trimestre e pela leitura sobre os juros, fatores que deixam o Ibovespa mais sensível a mudanças de humor nos mercados externos.
O especialista afirma que, em um pregão mais esvaziado de indicadores econômicos, o Ibovespa deve reagir principalmente ao fluxo de notícias e ao desempenho de Petrobras, Vale e bancos, que costumam concentrar boa parte do volume negociado e ajudar a definir a direção do mercado. Segundo ele, os dados de produção e vendas da Vale podem ajustar as expectativas para o balanço da companhia, previsto para a próxima semana.
João Daronco, analista da Suno Research, afirma que, nos primeiros momentos do pregão, as ações da Vale apresentavam desempenho superior ao do Ibovespa, com alta próxima de 1,5%. Às 11h13, o avanço era 0,16%.
Segundo ele, o mercado espera um segundo trimestre forte para a mineradora, embora as perspectivas para os próximos meses sejam menos favoráveis devido à expectativa de desaceleração dos preços do minério de ferro, principalmente por causa da China.
“Isso tem pressionado um pouco a cotação da empresa, que saiu do patamar de R$ 90 por ação para a faixa de R$ 70. Mas, novamente, o próximo relatório deve trazer números positivos de produção”, afirma.
Em relação aos últimos acontecimentos no Oriente Médio, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou na segunda-feira (20) ter atingido alvos militares americanos em diferentes pontos da região, após mais uma noite de bombardeios dos Estados Unidos contra cidades iranianas.
A segunda-feira marcou o nono dia consecutivo de ataques entre os dois países. As ofensivas encerraram o cessar-fogo firmado no mês passado, que havia proporcionado um alívio temporário aos mercados.
A nova fase do conflito deslocou o foco para a via marítima, especialmente para o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Ainda na segunda, tanto os Estados Unidos quanto o Irã sinalizaram disposição para retomar as negociações em busca de uma trégua para o conflito.
Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores apresentaram à Teerã uma proposta que prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.
O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que “se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta”. No entanto, acrescentou que o “comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude”.
Apesar dos sinais de retomada das negociações, a guerra segue se expandindo. Os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram que impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita. A medida abre uma nova frente no conflito e amplia os riscos para o abastecimento global de energia para além da região do Golfo.
No Brasil, os investidores também acompanham a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que deve entrar em vigor nesta quarta-feira (22).
Além disso, Trump deve anunciar ainda nesta semana novas tarifas sobre dezenas de países, substituindo a alíquota global de 10% que expira no fim desta semana. A decisão ocorre apesar dos alertas de seus assessores sobre os riscos econômicos de uma nova escalada da guerra comercial.
Segundo Otávio Araújo, no cenário doméstico o mercado também acompanha com atenção novas declarações de autoridades monetárias, em busca de sinais sobre a trajetória da Selic, já que os próximos passos da política monetária pode influenciar tanto a Bolsa quanto a curva de juros.
Nesta terça-feira, as taxas dos DIs operavam em baixa, em sintonia com o recuo do dólar frente ao real. Às 9h57, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,055%, queda de 0,07 ponto percentual. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 recuava 0,04 ponto percentual, para 14,565%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos referência global para decisões de investimento permanecia estável, em 4,602%.
Em Wall Street, os principais índices avançavam, indicando uma recuperação após acumularem perdas nos três pregões anteriores, em meio às incertezas sobre os investimentos em inteligência artificial e ao conflito no Oriente Médio.
Às 11h15, o Dow Jones subia 0,59%, o S&P 500 avançava 0,54% e o Nasdaq registrava alta de 0,71%.



