SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Tendo como principal alvo as canetas emagrecedoras, assaltos a farmácias têm deixado mortos na cidade de São Paulo. Na cidade, conforme números da Secretaria da Segurança Pública estadual, foram 162 roubos e furtos nesses estabelecimentos nos primeiros cinco meses do ano, mais que um por dia. O número é semelhante ao observado no mesmo período do ano anterior (166).

Diante do cenário, os estabelecimentos reforçam a segurança com vigilantes, vistos na entrada das farmácias, em pé ou sentados em banquetas. Uns vestem uniforme de empresas, outros ficam sem identificação.

O uso de vigilantes já era comum na região da cracolândia, no centro, sobretudo para evitar os furtos de cosméticos expostos em prateleiras. Agora, o que se vê é uma expansão desse roteiro para outras partes da cidade, mudando a cena de locais antes vistos como mais seguros.

A Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias) afirma que a presença dos seguranças é uma prerrogativa das redes, que têm autonomia para decidir a forma de operação.

Em nota, a RD Saúde, que representa Raia e Drogasil, disse que, “embora não costume comentar seus protocolos de segurança, cabe esclarecer que os profissionais que fazem o monitoramento e a prevenção nas farmácias da companhia não atuam armados”. Procurada, a Drogaria São Paulo não se pronunciou até a publicação do texto.

Em fevereiro, a farmacêutica Karina Aparecida Ribeiro de Souza foi morta enquanto trabalhava numa unidade na avenida Conselheiro Moreira de Barros, em Santana, zona norte. Ela foi baleada por um policial civil de folga que estava na Drogaria São Paulo como cliente no momento do assalto e reagiu.

Mesmo ocorrida durante um assalto, a morte de Karina não entrou para as estatísticas de latrocínio (roubo seguido de morte). Foi registrada como decorrente de intervenção policial.

Segundo a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Civil identificou três autores do crime. “Um deles está preso e os outros dois foragidos. Todos os envolvidos respondem pelo crime de latrocínio. O Ministério Público manifestou-se no sentido de que a ação do policial civil ocorreu em legítima defesa, motivo pelo qual ele foi isentado de responsabilidade penal.”

A ação do agente público é apurada pela corregedoria da instituição, em estágio inicial.

Na época, o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo publicou em suas redes que “a tragédia não pode ser tratada como mais um número”. “Farmacêuticos e trabalhadores do setor seguem expostos à violência diariamente”, declarou. Procurada, a entidade não se pronunciou.

Também em fevereiro, o guarda-civil Rodrigo dos Santos, 42, morreu ao tentar impedir um roubo a uma Droga Raia da rua Correggio, na Vila Suzana, região do Morumbi, zona oeste de São Paulo.

O taxista Marcelo Silveira, 57, morreu durante um assalto a uma farmácia na avenida Morumbi, em outubro passado.

Criminosos armados invadiram a unidade da Drogaria São Paulo por volta das 21h30. Após anunciar o assalto, o grupo roubou 20 caixas do medicamento Wegovy, usado no tratamento da obesidade, além de outros produtos.

Foi nesse instante que Silveira entrou na loja sem saber o que acontecia. O taxista foi então rendido por um dos criminosos e empurrado para os fundos da drogaria. Na sequência, houve o disparo.

Os quatro homens fugiram com os itens roubados. Silveira morreu no Hospital do Campo Limpo.

A morte mais recente ocorreu no dia 8, na rua Barão de Melgaço, no Real Parque, zona oeste de São Paulo. Dois homens entraram na Droga Raia e anunciaram o roubo. Um cliente percebeu e reagiu, segundo a SSP. Um dos suspeitos foi baleado e morreu no Hospital do Campo Limpo; o outro fugiu.

Ouvido pela reportagem, um delegado disse ter percebido a movimentação de seguranças em drogarias. As apurações dos casos, segundo ele, levaram até um comerciante que receptava os medicamentos roubados. Ele foi preso.

Segundo o delegado, os produtos são vendidos via redes sociais, e alguns são desviados para farmácias pequenas que comercializam na clandestinidade, sob encomenda. Para o delegado, o contrabando de canetas paraguaias e a redução do preço com a chegada dos produtos brasileiros podem contribuir para uma queda nos roubos.

Em nota, a gestão Tarcísio disse que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate à criminalidade, além da repressão aos receptadores e às organizações envolvidas nesse tipo de delito.

“Nos cinco primeiros meses de 2026, o Estado registrou redução de 19% no número de roubos a farmácias em comparação com o mesmo período do ano passado. Na capital, a queda foi de 2,4%”, diz a pasta.

De acordo com a pasta da segurança, somente nas últimas quatro semanas, nove suspeitos foram presos e três adolescentes apreendidos, envolvidos em roubos a farmácias na região metropolitana.