CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil do Paraná indiciou sob suspeita de estelionato a mulher que fingia ser adolescente. Amanda Maria Souza de Oliveira, 38, responde pelo mesmo crime em Santa Catarina, onde está presa desde junho. A defesa informou que deve pedir um novo laudo sobre a sanidade mental da investigada.
As investigações identificaram ao menos 12 vítimas, todas de um grupo de oração online. Segundo os depoimentos, Amanda se infiltrou nas reuniões católicas, simulando a rotina de uma adolescente de 13 anos em estágio terminal de leucemia. Durante o interrogatório, ela negou todas as acusações.
Segundo a polícia, as vítimas são da cidade de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, e a reconheceram após repercussão de sua prisão em Joinville (SC), onde ela teria enganado uma família por mais de um ano, dizendo ser criança e recebendo até mamadeira e festa de aniversário infantil.
“Atuava em idêntico modus operandi”, diz a polícia paranaense em referência ao modo de atuação.
O caso de Amanda em Santa Catarina motivou pedido de um laudo psiquiátrico sobre sua sanidade mental. Fontes ouvidas pela Folha confirmaram que este laudo apontou problemas, porém, insuficientes para impedi-la de entender o que faz.
Procuradas pela reportagem, a polícia, a Promotoria e Justiça de Santa Catarina, assim como a defesa de Amanda, não falaram sobre o laudo, alegando segredo de Justiça.
A advogada de defesa, Sarita Paiva, disse apenas que o resultado é divergente de um já existente no Distrito Federal. “Pedimos um novo laudo, por psiquiatra forense particular, para saber se ela tinha consciência do que estava fazendo ou se tem alguma doença mental que possa mudar o rumo do processo.”
Essa nova avaliação será realizada pela equipe do psiquiatra forense Hewdy Lobo, que já fez laudos para os casos de Suzane von Richthofen, da ex-deputada federal Flordelis e de Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro.
No Distrito Federal, a reportagem teve acesso a um documento oficial de agosto de 2012, com informações de diversos órgãos que apontam detalhes sobre a vida e o comportamento de Amanda até então.
Segundo o documento, ela nasceu em 1988 e foi adotada aos 25 dias por uma enfermeira e um vigilante, em Fortaleza, no Ceará. Aos sete anos, teria começado a apresentar sinais de puberdade precoce e mudanças de comportamento, como agressividade, automutilação, desejo exagerado por atenção, fugas e tentativas de suicídio.
Ela também já teria acusado o pai de estupro e ameaçado jogar da escada colegas da escola que se aproximassem de sua professora favorita. Conforme os registros, ela estudou até o primeiro ano do ensino médio.
Com o nome falso de Gabriela Françoso dos Santos, há identificações de passagens dela por instituições de acolhimento e clínicas psiquiátricas do Distrito Federal, Ceará, Minas Gerais e Rio Grande do Norte, diz o documento, com citações de diagnósticos como depressão e transtorno de personalidade.
Aos 21 anos, Amanda viveu com um homem por sete meses. Quando o casamento acabou, relata o documento, ela teria obrigado os pais a lhe darem dinheiro para viajar ao Rio de Janeiro e Belo Horizonte, para conhecer igrejas evangélicas. “Chegando a tais estados, afirmou que seus genitores a utilizavam em rituais religiosos de magia e exploração sexual e que era adolescente.”



