SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A defesa de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, pediu o afastamento do promotor Cássio Conserino das investigações sobre os supostos desvios de materiais esportivos do clube. Os advogados alegam que ele não possui a imparcialidade necessária para continuar atuando no caso. A reportagem teve acesso tanto ao pedido apresentado pela defesa do dirigente quanto à resposta encaminhada por Conserino à Justiça.
O caso é um dos principais desdobramentos da investigação iniciada após auditoria interna do Corinthians apontar falhas no controle de materiais fornecidos pela Nike. Nos últimos meses, o Ministério Público manteve as apurações mesmo após a Polícia Civil concluir que não havia elementos suficientes para caracterizar crime, denunciou Armando Mendonça por suposta apropriação de materiais esportivos e obteve o recebimento da denúncia pela Justiça, que tornou o dirigente réu.
O promotor rebate os argumentos e afirma que suas investigações atingiram dirigentes ligados às três últimas gestões presidenciais do Corinthians. Segundo ele, recebeu o caso por sorteio e não possui qualquer interesse pessoal nas apurações.
O pedido foi protocolado pelos advogados de Armando Mendonça, que foi denunciado pelo Ministério Público. Segundo a defesa, a atuação de Conserino teria sido influenciada por seu envolvimento com temas relacionados ao clube.
Já o promotor afirma que recebeu o caso por distribuição eletrônica e nega possuir qualquer interesse pessoal nas investigações. Segundo ele, não há motivo legal que justifique seu afastamento.
A defesa pede que Conserino seja retirado do processo. Os advogados também solicitam a anulação da denúncia apresentada pelo Ministério Público e de todos os atos praticados pelo promotor, além da redistribuição do caso a outro integrante do MP.
ARGUMENTOS DA DEFESA
Os advogados de Armando Mendonça sustentam que existem elementos que colocam em dúvida a imparcialidade do promotor. Entre os pontos apresentados estão publicações feitas por Conserino nas redes sociais, declarações públicas relacionadas ao Corinthians e sua participação em eventos ligados ao clube. A reportagem teve acesso ao pedido protocolado pela defesa do vice corintiano.
A defesa afirma que o promotor ultrapassou os limites de sua atuação institucional e passou a ter protagonismo em discussões sobre a política interna do Corinthians. A petição também aponta um suposto alinhamento dele com grupos que defendem mudanças no modelo de gestão do clube.
Outro argumento é a forma como as investigações foram conduzidas. Segundo os advogados, Conserino realizou apurações próprias e reuniu informações que não integravam o inquérito policial principal, sem que a defesa tivesse conhecimento.
De acordo com a manifestação, esse material foi utilizado para fundamentar a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Por isso, os advogados pedem que a Justiça reconheça a falta de imparcialidade do promotor e anule os atos diretamente relacionados à sua atuação no caso.
RESPOSTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Em resposta, o promotor afirma que recebeu o caso por distribuição eletrônica em julho de 2025. Segundo ele, não escolheu investigar assuntos envolvendo o Corinthians, já que o procedimento lhe foi encaminhado por sorteio. A reportagem também teve acesso à manifestação apresentada por Cássio Conserino à Justiça.
Conserino também afirma que não possui qualquer relação pessoal com os investigados. O promotor reconhece ser torcedor do Corinthians e integrante do programa Fiel Torcedor. No entanto, afirma que nunca foi associado do clube e que não frequentava suas dependências administrativas antes do início das investigações.
Na resposta encaminhada à Justiça, Conserino destaca que as apurações conduzidas por ele resultaram em denúncias e outros procedimentos envolvendo diferentes administrações do Corinthians. O promotor cita casos relacionados a Andrés Sanchez, Duílio Monteiro Alves e integrantes ligados ao atual grupo político do clube.
“O fato de ser corinthiano é bem anterior à minha intervenção na investigação”, disse Conserino.
Segundo o promotor, o alcance das investigações demonstra que não houve favorecimento a qualquer grupo político dentro do Corinthians. Ao rebater o pedido de afastamento, Conserino também detalhou outras medidas adotadas em investigações envolvendo o clube.
O promotor afirma ter encaminhado pedidos ao Ministério Público do Patrimônio Público e Social, que resultaram na abertura de um procedimento para apurar possíveis irregularidades na administração do Corinthians. Segundo a manifestação, essas medidas incluem discussões sobre uma eventual intervenção judicial no clube. O promotor afirma que todas elas foram adotadas com base no entendimento jurídico atualmente em vigor.
Conserino também informou ter acionado a Receita Federal para investigar possíveis irregularidades tributárias envolvendo o Corinthians. Entre os pontos citados estão a eventual existência de impostos não recolhidos, possíveis casos de sonegação fiscal e a análise dos gastos realizados por dirigentes com cartões corporativos.
O promotor relata ainda ter encaminhado pedidos de investigação ao Ministério Público Federal e solicitado a atuação das polícias Civil e Federal. Segundo ele, todas essas medidas fazem parte do conjunto de apurações iniciado a partir do caso recebido em julho de 2025.
O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO?
Neste momento, a discussão não envolve a culpa ou a inocência de Armando Mendonça. O ponto central é definir se Cássio Conserino pode ou não continuar atuando no caso.
Enquanto a defesa sustenta que o promotor não reúne as condições necessárias de imparcialidade, Conserino afirma que não possui qualquer impedimento legal para permanecer nas investigações. Ele também argumenta que suas apurações atingiram dirigentes de diferentes grupos políticos do Corinthians. O pedido de afastamento do promotor ainda será analisado pela Justiça.
A disputa entre o vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, e o promotor Cássio Conserino se tornou um dos principais capítulos do chamado “Caso Nike”, investigação que apura a gestão e a destinação de materiais esportivos fornecidos ao clube. O Ministério Público sustenta que há indícios de irregularidades envolvendo a retirada de produtos dos almoxarifados do Parque São Jorge e do CT Joaquim Grava.
Com base em auditoria interna, documentos e diligências próprias, Conserino denunciou Armando Mendonça pelos supostos crimes relacionados à apropriação de materiais esportivos. Posteriormente, a Justiça aceitou a denúncia e tornou o dirigente réu.
Armando, por sua vez, nega ter cometido qualquer irregularidade. Desde o início da investigação, o dirigente questiona as conclusões da auditoria interna, afirma que não houve comprovação de desvio de materiais e sustenta que a Polícia Civil não encontrou elementos suficientes para caracterizar crime.
Agora, a defesa de Armando tenta afastar Conserino do caso. Os advogados alegam que manifestações públicas do promotor sobre questões ligadas ao Corinthians levantam dúvidas sobre sua imparcialidade. Além da saída do integrante do Ministério Público, pedem a anulação da denúncia e dos atos praticados por ele na investigação.
Conserino rejeita a acusação. Em sua manifestação à Justiça, afirma que recebeu o procedimento por distribuição eletrônica, que não possui relação pessoal com os investigados e que suas apurações já atingiram integrantes de diferentes correntes políticas que passaram pelo comando do Corinthians, incluindo dirigentes ligados às últimas gestões do clube.
A decisão sobre o pedido de afastamento ainda será analisada pela Justiça. Enquanto isso, a ação penal contra Armando Mendonça segue em tramitação.



