BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O deputado federal, ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) confirmou nesta segunda-feira (20) que disputará o Governo de Minas Gerais. Ele será o candidato do grupo político do presidente Lula (PT) no estado.
A falta de um candidato a governador aliado ao presidente em Minas Gerais era considerada o principal problema da pré-campanha nacional petista. O chefe do governo precisa de um candidato forte no local para dar volume à sua campanha presidencial no estado, o segundo com mais eleitores no Brasil.
O deputado federal Patrus Ananias (PT-MG), durante sessão na Câmara dos Deputados Kayo Magalhães – 20.mai.26 Câmara dos Deputados Homem de cabelos grisalhos e barba branca veste terno claro e gravata vermelha, falando em microfone segurando papéis. Fundo desfocado com outras pessoas e cadeiras.
“Tomei uma decisão que quero compartilhar hoje diretamente com você. É o primeiro anúncio que estou fazendo formalmente da minha pré-candidatura ao governo do estado de Minas Gerais”, disse o deputado federal em vídeo publicado nas redes sociais.
Petista histórico com origem nos grupos católicos que ajudaram a fundar e expandir o PT, Patrus Ananias mencionou no vídeo sua identidade religiosa, um tema que tem ganhado relevância nas últimas eleições.
“As pessoas perguntam: Patrus, quando é que você entrou para a política? Eu falo, desde criança, pela minha formação cristã, compromisso com o próximo, com os pobres”, declarou ele.
Na última quinta-feira (16), Lula conversou com Patrus Ananias e sacramentou a aliança. O deputado, porém, pediu um prazo para conversar com aliados antes de fazer anúncio oficial. O PT mineiro marcou uma reunião com líderes do partido para aclamar o deputado federal como o nome da sigla para a disputa pelo governo estadual.
A reunião foi realizada nesta segunda-feira. Depois Patrus comunicou publicamente que havia decidido disputar o governo. Oficialmente, ele só será candidato depois da convenção local e do registro da candidatura.
O deputado não era o plano A nem o plano B de Lula para encabeçar uma chapa majoritária em Minas Gerais.
Primeiro, o presidente da República queria lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que nunca demonstrou entusiasmo com a possibilidade. Depois, a favorita de Lula era a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). Ela também contrariou o chefe do governo, e deverá disputar uma vaga no Senado.
Além disso, a cúpula petista sondou o pré-candidato do PDT, Alexandre Kalil, que rejeitou uma aliança com Lula já no primeiro turno. Kalil foi aliado do atual presidente na eleição de 2022, mas a relação entre ele e o PT se desgastou nos meses e anos seguintes.
Em 24 de junho, Lula indicou apoio à ideia do PT mineiro de lançar uma candidatura própria. A medida, à época, aumentou a pressão para Marília Campos concorrer, mas ela manteve sua agenda de pré-candidata ao Senado.
O nome de Patrus surgiu entre petistas mineiros depois da negativa de Marília, e Lula aceitou a sugestão. O deputado indicou a dirigentes do partido que aceitaria a candidatura antes da conversa definitiva com o presidente da República.
Patrus Ananias tem 74 anos. Foi prefeito de Belo Horizonte de 1993 a 1996 e ministro nos primeiros governos petistas. Está em seu quarto mandato como deputado federal. Já concorreu a vice-governador em 2010 e ao governo estadual, em 1998. Não foi eleito.
Todas as pendências nas alianças de Lula e dos outros pré-candidatos a presidente da República precisam ser resolvidas nas próximas semanas. O período de convenções partidárias -quando as legendas escolhem seus candidatos e formalizam seus apoios– vai de 20 de julho a 5 de agosto.
O principal adversário de Lula na eleição presidencial será o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também tem dificuldades para fechar sua aliança em Minas Gerais.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostra o petista com 45% das intenções de voto para o segundo turno, contra 37% de Flávio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.



