CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O aspirante a piloto Gustavo Henrique Lara, 27, morto na semana passada em Ponta Grossa (PR) após participar de um ritual de “banho de óleo” teria sofrido uma “asfixia mecânica por edema de via aérea após exposição química”, ou seja, um inchaço no trato respiratório que impediu a passagem de ar.

A informação sobre a causa da morte foi divulgada nesta segunda-feira (20) pela Polícia Civil, mas ainda é considerada preliminar, já que o inquérito segue em andamento.

O “banho de óleo” é conhecido entre pilotos e feito para marcar o fim de uma graduação ou o primeiro voo solo, por exemplo. Mas, na quinta-feira (16), após ter o óleo despejado no corpo, Gustavo imediatamente sofreu uma reação anafilática (alérgica) com uma crise convulsiva.

A reação alérgica gerou um edema nas vias aéreas, bloqueando a respiração. Gustavo teve três paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.

O instrutor de voo de Gustavo, que admitiu ter despejado o óleo no corpo da vítima, chegou a ser preso em flagrante sob suspeita de crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele pagou fiança de R$ 3.000 e foi liberado.

“De acordo com os elementos levantados até esse momento, ficou caracterizado que não houve dolo na conduta do instrutor, que não houve a intenção de matar a vítima, que inclusive era seu amigo”, disse o delegado Lucas Petry, na sexta-feira (17). O nome do profissional não foi divulgado pela polícia.

A composição química exata do óleo jogado no corpo ainda não foi divulgada, mas o delegado a descreve como uma “substância oleosa utilizada em motores de aeronaves”.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) alertou em nota que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, “não devem ter contato com a pele em hipótese alguma, conforme orientam os rótulos desses materiais”.

“O uso desses produtos durante celebrações traz riscos à saúde das pessoas, podendo inclusive levar a óbito”, disse a agência nacional.

Na mesma nota, ela defende que rituais como o “banho de óleo” sejam repensados em escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução.

“Na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco”, afirmou a Anac.

A empresa de formação de pilotos, o CIAC (Centro de Instrução de Aviação Civil) de Ponta Grossa, publicou nota em uma rede social, na qual afirma que “permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como para prestar o apoio cabível aos familiares, dentro de suas possibilidades”.

A escola também afirmou que “não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações estejam concluídas”.

“Neste momento de imensa tristeza, expressamos nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que conviviam com o Gustavo, desejando força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda”, continua o comunicado.

Gustavo era de Ipiranga, cidade a cerca de 50 quilômetros de Ponta Grossa. Nas redes sociais, ele se apresentava como engenheiro eletricista e engenheiro biomédico.