SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Jogadores da Espanha, seleção campeã da Copa do Mundo 2026, subiram ao pódio neste domingo (19) com bandeiras brancas, azuis, verdes e pretas. O país, no entanto, tem as cores vermelha e amarela em sua bandeira oficial. O que explica essa diversidade de cores?

Jogadores exibiram bandeiras diferentes da espanhola durante a premiação e comemoração. Depois da vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, com gol de Ferran Torres na prorrogação, atletas levaram ao gramado símbolos de comunidades autônomas e municípios onde nasceram. A Espanha conquistou o segundo título mundial de sua história.

Pedri, Ferran Torres e Borja Iglesias representaram suas regiões. Eles apareceram, respectivamente, com as bandeiras das Ilhas Canárias, da Comunidade Valenciana e da Galícia. Pedro Porro comemorou com a bandeira da Extremadura amarrada à cintura.

Outros escolheram símbolos ainda mais locais. Dani Olmo levou a bandeira de Terrassa, na Catalunha, enquanto Álex Baena e Fabián Ruiz usaram a de Roquetas de Mar e Los Palacios y Villafranca, municípios da Andaluzia onde nasceram. Yeremy Pino também carregou as cores de Las Palmas de Gran Canaria, província de Las Palmas.

Pau Cubarsí levou a Senyera, bandeira oficial da Catalunha. O zagueiro nasceu em Estanyol, pequeno município da província de Girona, na região da Catalunha.

O gesto não significa rejeição à Espanha. Na maioria dos casos, a bandeira funciona como homenagem às raízes do atleta. Ele pode se apresentar como canário, galego, catalão ou andaluz e, ao mesmo tempo, disputar a Copa pela seleção espanhola.

POR QUE TANTAS BANDEIRAS?

A bandeira nacional espanhola é a vermelha e amarela. Ela é chamada de rojigualda em alusão às cores. A faixa amarela central tem o dobro de largura de cada faixa vermelha.

A Espanha tem uma organização territorial diferente da brasileira. O país é dividido em 17 comunidades autônomas, além das cidades autônomas de Ceuta e Melilla. A Espanha é um Estado descentralizado e concede amplos poderes políticos e administrativos às comunidades. Cada comunidade tem um Estatuto de Autonomia e pode ter governo, parlamento, símbolos e competências próprias. Em alguns territórios, também há idiomas co-oficiais, como o catalão, o galego e o basco.

A diversidade está prevista na própria Constituição. O texto estabelece a unidade do país, mas reconhece o direito à autonomia das diferentes “nacionalidades e regiões” que formam a Espanha. Também permite que as comunidades tenham bandeiras próprias, usadas junto com a espanhola em cerimônias oficiais.

O modelo atual foi estruturado depois da Constituição de 1978. Entre 1979 e 1983, foram aprovados os estatutos que formaram as 17 comunidades existentes hoje. Ceuta e Melilla receberam seus estatutos como cidades autônomas em 1995.

As comunidades são: Andaluzia, Aragão, Astúrias, Ilhas Baleares, Ilhas Canárias, Cantábria, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Catalunha, Comunidade Valenciana, Extremadura, Galícia, La Rioja, Comunidade de Madrid, Região de Múrcia, Navarra e País Basco. Catalunha e País Basco têm identidades nacionais muito fortes e movimentos políticos que defendem maior autonomia ou independência.