SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O partido Missão oficializou nesta segunda-feira (20) a candidatura de Renan Santos, 42, à Presidência da República. Segundo o candidato, a convenção foi antecipada para garantir a proteção da PF (Polícia Federal) após ele ter recebido ameaças de duas facções criminosas do Ceará, somadas a intimidações do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo e do CV (Comando Vermelho) no Rio de Janeiro.
Dessa forma, o partido antecipou o ato para coincidir com a ativação do esquema de segurança da PF, nesta segunda-feira. Para proteger os presidenciáveis, a operação dispõe de R$ 95 milhões e mobiliza até 458 servidores, com apoio de blindados, equipes táticas e tecnologia antidrone.
A convenção também aprovou o nome do tenente-coronel da reserva da Brigada Militar gaúcha Aroldo Medina, 62, como vice na chapa. Ex-integrante da Brigada Militar por 30 anos, ele já disputou o governo gaúcho (em 2002, pelo PL, e em 2010, pelo extinto PRP) e a Prefeitura de Canoas (pelo PFL em 2004).
Durante o pronunciamento virtual aos apoiadores, Renan afirmou que recorrer à proteção ostensiva da PF deixou de ser uma opção de economia. “É uma questão de sobrevivência”, disse.
Em vídeo a apoiadores falando da oficialização, ele pediu engajamento nas redes e falou em fazer um “governo revolucionário”, se eleito. Também afirmou que quer “tirar o PT do poder” e fazer “com que milhões de pessoas não tenham que viver do Bolsa Família para sempre”.
Apesar da confirmação, o Missão manteve o evento público de lançamento da campanha para 1º de agosto, quando apresentará o “Livro Amarelo”, documento com as diretrizes do plano de governo.
A antecipação ocorre em meio a atritos recentes na pré-campanha. Na última semana, a casa de shows Audio Rebel, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, cancelou uma apresentação da Limão Rosa marcada para sexta-feira (17). A banda de indie rock é liderada por Renan Santos e traz o ex-deputado cassado Arthur do Val, o Mamãe Falei, na bateria.
O estabelecimento justificou a medida alegando razões políticas e afirmando que não gostaria de associar sua marca ao candidato.
Renan, que é vocalista, compositor, guitarrista e gaitista do grupo, classificou a decisão como “sabotagem” movida por pressão de militantes de esquerda sobre a casa de eventos e enfatizou que as letras tratam apenas de temas existenciais.
Como reação ao cancelamento do show, o candidato fez uma apresentação gratuita no último sábado (18), que reuniu cerca de 500 pessoas no Bar Bukowski, tradicional casa de rock no Rio de Janeiro.
ESTRATÉGIA DE ‘CARAVANA’ E CRÍTICAS AOS ADVERSÁRIOS
Para se tornar conhecido, Renan tem feito viagens a municípios periféricos, mostrando nas redes sociais problemas da população. A estratégia repete as antigas Caravanas da Cidadania promovidas por Lula (PT) nos anos 1990.
No debate econômico, o candidato tem feito críticas tanto ao governo Lula quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Santos classificou como “incompetente” e “ridícula” a postura da oposição e do governo diante do “tarifaço” de 25% imposto pelos Estados Unidos e defendeu o uso das reservas brasileiras de terras raras como moeda de troca nas negociações.
Nas últimas pesquisas de intenção de voto (Datafolha e Genial/Quaest), Renan Santos marcou 3%, empatado na margem de erro com Ronaldo Caiado (PSD). No mesmo cenário, Lula lidera o primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro.



