RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A iniciativa RioAgora.org propõe a criação de uma central de resultados subordinada ao governador do Rio de Janeiro para acompanhar metas, monitorar indicadores e acelerar a implementação de medidas prioritárias ao desenvolvimento do estado, como na área da segurança pública.

A sugestão faz parte de um plano de ação para o governo local que será apresentado em evento na tarde desta segunda-feira (20) no Museu do Amanhã, na capital fluminense. A Folha de S.Paulo teve acesso ao documento, composto por 113 páginas.

O objetivo da publicação, conforme a RioAgora.org, é subsidiar programas de governo nas eleições de 2026, elencando análises e recomendações para os desafios do Rio de Janeiro.

A publicação abrange as seguintes áreas: educação, saúde, meio ambiente, segurança pública, gestão do estado e gestão fiscal, mobilidade, habitação e governança territorial, desenvolvimento econômico e social, transparência e cultura.

Conforme a RioAgora.org, que se apresenta como uma iniciativa apartidária e sem fins lucrativos, a agenda foi construída a partir da contribuição de cerca de 40 especialistas.

Para a organização, os problemas fluminenses são “transversais” –ou seja, atravessam diferentes campos da sociedade.

Ao tratar da segurança pública, o documento afirma que o crime organizado e a “desorganização” da gestão estadual sustentam a persistência da violência, da corrupção e do medo.

Para a RioAgora.org, a situação não será resolvida com slogans, operações policiais “episódicas” ou medidas isoladas.

A organização cita quatro desafios principais a serem combatidos: controle de territórios por grupos criminosos armados, letalidade policial elevada, crimes patrimoniais e corrupção por agentes do Estado.

“O Rio não parte de uma folha em branco. Há diagnóstico robusto, evidências, experiências prévias e benchmarks [pontos de referência] claros”, afirma o texto.

“O que falta é a decisão política de reconstruir a governança, proteger a vida como prioridade (inclusive reduzindo letalidade), desarmar a engrenagem econômica do crime, aumentar a elucidação de homicídios, e tratar corrupção como inimigo central da política pública”, completa.

A iniciativa afirma que o estado reúne uma “combinação rara” de características como capital humano, presença de instituições científicas, patrimônio cultural, infraestrutura, marca internacional e base energética, mas sofre para transformar os ativos em resultados.

“A principal proposta transversal [do plano] é a criação da Central de Resultados, subordinada ao governador, para monitorar prioridades, antecipar riscos, destravar decisões e acompanhar entregas”, aponta o documento.

A central, contudo, só fará sentido se trabalhar com poucas metas, indicadores verificáveis, orçamento vinculado e reuniões periódicas de decisão, diz a RioAgora.org.

A unidade não substituiria secretarias nem órgãos de controle, mas organizaria o núcleo do governo para a retirada do plano do papel.

“A reconstrução do Rio dependerá menos de novas promessas e mais da capacidade de cumprir, monitorar e corrigir —até que o resultado chegue à população”, afirma o documento.

O texto diz que a principal referência internacional para a central de resultados é um órgão criado na gestão do ex-primeiro-ministro Tony Blair (1997-2007), no Reino Unido.

Também cita experiências adotadas nos estados de Minas Gerais, em 2011, e São Paulo, em diferentes ciclos administrativos.

A RioAgora.org é ligada à República.org, organização também apartidária e sem fins lucrativos voltada à melhoria da gestão de pessoas no serviço público brasileiro.

O financiamento é de AFloresta.org, coletivo de iniciativas com o objetivo de reduzir a desigualdade de renda no Brasil.

CRISE FISCAL

Conforme o plano que será apresentado nesta segunda, a crise fiscal do Rio de Janeiro “não foi súbita” e decorre de questões estruturais, choques externos e acúmulo de erros.

O documento cita a dependência do petróleo, o crescimento de despesas rígidas (de pessoal e previdência) e o registro de problemas de gestão (ausência de planejamento, fragilidades institucionais, má alocação e escândalos).

Para reverter o quadro, a iniciativa sugere, por exemplo, revisar incentivos fiscais e renúncias com base em critérios de custo-benefício e transparência.

Também defende a implementação de uma política estadual de gestão estratégica de pessoas, a “simplificação” de carreiras do funcionalismo e a realização de concursos públicos planejados, que priorizem vagas estratégicas e capacidades hoje deficitárias.

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Na área de desenvolvimento econômico e social, o plano afirma que o Rio de Janeiro não tem convertido suas capacidades em uma “redução sustentada” de desigualdade e informalidade no mercado de trabalho.

A estrutura produtiva, conforme o documento, permanece “pouco complexa e vulnerável a ciclos do setor extrativo”.

O texto defende o uso do potencial energético do estado como alavanca para o desenvolvimento de novas atividades e a necessidade de uma política com foco nas dificuldades de emprego e renda na Baixada Fluminense.

Segundo a RioAgora.org, o estado não aproveita plenamente a presença de ativos como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), instituição de ciência e tecnologia ligada ao Ministério da Saúde, por falta de capacidade industrial associada.

“Universidades podem atuar como âncoras territoriais, mas a magnitude do transbordamento depende de desenho institucional, integração com empresas e infraestrutura”, diz o plano.