SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois policiais militares foram condenados na quarta-feira (15) pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo sob acusação de torturar adolescentes na favela da Caixa D’Água, na zona leste da capital, em fevereiro de 2025, segundo informações do Fantástico, da TV Globo. Cabe recurso.

O caso veio à tona após câmeras corporais dos próprios policiais registrarem a ação, incluindo um momento em que um dos PMs simula uma roleta-russa com um revólver na cabeça de um dos jovens.

Segundo as imagens, o sargento Amauri dos Santos colocou uma única munição numa arma, girou o tambor e encostou-a na cabeça de um adolescente antes de apertar o gatilho —a arma não disparou.

As gravações também mostram outro policial, o cabo Sandro Nascimento, apontando uma pistola para a cabeça de um dos jovens, além de agressões físicas contra os adolescentes. Nenhuma das vítimas reagiu à abordagem.

Amauri dos Santos foi condenado a 12 anos e 5 meses de prisão sob acusação de tortura, abuso de autoridade, fraude processual —por ter desligado a câmera corporal durante parte da ação— e peculato, por supostamente ter feito desaparecer uma quantidade de drogas apreendida durante a operação.

Durante o julgamento, o sargento negou que a arma fosse verdadeira ou que a munição fosse real, afirmando que se tratava de um revólver de brinquedo encontrado na região e de uma cápsula de mentira.

Ele também alegou que o material encontrado na casa da comunidade não era droga, mas lixo, que teria sido descartado posteriormente pelos próprios policiais. A defesa de Santos não quis se manifestar após o julgamento.

O cabo Sandro Nascimento foi condenado a 4 anos e 10 meses, em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade.

Em depoimento, o cabo negou ter cometido qualquer crime e disse que apenas se apoiou no adolescente para não perder o equilíbrio, sem intenção de agredi-lo. A defesa do agente afirmou à TV que buscava o reconhecimento de uma transgressão disciplinar, e não de crime de tortura.

Ainda conforme a reportagem, os policiais entraram em ao menos uma casa da comunidade sem autorização judicial durante a ação.

Um terceiro policial envolvido no caso, o soldado Eduardo Uchoa, e outros cinco PMs também são réus no processo e ainda serão julgados. Em nota, a defesa disse acreditar na inocência do soldado.

Em nota divulgada pela TV, a Polícia Militar de São Paulo informou que o programa de câmeras corporais foi ampliado em 50%, para 15 mil dispositivos, e que os equipamentos atuais preveem acionamento pelo próprio policial ou de forma remota — diferentemente do modelo usado à época do caso, que gravava de forma automática, em baixa qualidade e sem áudio (no modo recall).