SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Minha vida não acabou. Não vou me entregar”, disse Marcela Vitória de Lima Santos, 19, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, neste domingo (19). A jovem perdeu a perna direita em um ataque de tubarão-tigre na praia de Boa Viagem, no Recife, no dia 1º de junho.

Na ocasião, a jovem entrou no mar para nadar e foi atacada pelo animal. Ela foi retirada da água pelo primo, o vigilante Jonas André de Lima, que a puxou até a beira da praia já sem o membro.

Um médico que estava de férias no local, Mike Andrade, fez um torniquete improvisado para conter a hemorragia antes da chegada do resgate.

Marcela foi levada primeiro ao Hospital Alfa e depois transferida para o Hospital da Restauração, referência em trauma em Pernambuco, onde passou por cirurgia de emergência e ficou internada na UTI antes de seguir para a enfermaria. Ela recebeu alta após 40 dias de internação.

O caso foi o segundo ataque de tubarão em Pernambuco em 48 horas –um dia antes, um menino de 11 anos também teve a perna amputada após ser mordido na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

Segundo a reportagem do Fantástico, Marcela conseguiu encomendar sua prótese com a ajuda de vaquinha na internet, e segue em recuperação. Ela recebeu uma bolsa de estudos da faculdade que frequenta. A família comemorou a recuperação e celebrou a oportunidade pelo recomeço.

Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões

Após uma sequência de ataques de tubarão em Pernambuco, o estado anunciou a retomada do monitoramento dos animais no litoral, interrompido há mais de uma década. O projeto prevê a captura e a marcação de tubarões para acompanhar seus deslocamentos por meio de telemetria acústica.

Os trabalhos são desenvolvidos através do projeto Ecotuba, coordenado pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco).

A previsão inicial divulgada pelo governo era de que as atividades começassem em junho. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, as saídas de campo devem ocorrer até o início de agosto.

O monitoramento será feito por meio de transmissores acústicos implantados nos tubarões e de hidrofones instalados em pontos estratégicos.

O transmissor emite sinais em intervalos regulares, que são captados pelos receptores quando o animal entra em seu raio de alcance. Os dados ficam registrados nos equipamentos e são posteriormente coletados pelos pesquisadores.

Cada transmissor tem um número próprio. A partir dos registros de data, horário e local de detecção, os pesquisadores podem acompanhar os deslocamentos dos animais entre diferentes pontos.

O sistema previsto para o projeto não permite, porém, o acompanhamento em tempo real por parte das autoridades ou a emissão imediata de alertas para os banhistas. Para isso, seria necessário instalar uma estrutura de superfície capaz de transmitir os dados dos receptores submersos.