RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Autora de uma proposta de R$ 500 milhões para socorrer a Oncoclínicas, a IG4 condiciona o dinheiro a assumir o controle da rede de hospitais especializados no tratamento de câncer. A expectativa é que o negócio seja anunciado nas próximas semanas.
A Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial na terça-feira (14), para tentar renegociar uma dívida de R$ 5,2 bilhões. Na quarta (15), confirmou ter recebido proposta da IG4, gestora especializada em recuperação de empresas.
A Folha apurou com pessoas com conhecimento do assunto que os R$ 500 milhões em debêntures estão condicionados a um acordo com grandes acionistas para transferência do controle da companhia, por meio de contratos de usufruto de ações.
A Oncoclínicas tem hoje quatro grandes acionistas relevantes: a gestora de recursos Latache, o BRB (Banco de Brasília) e dois fundos de investimento chamados Josephina 2 e Josephina 3, ligados ao banco Goldman Sachs e à gestora Centaurus.
Esses quatro detêm 40,86% das ações e, mesmo que decidam aderir, não garantem sozinhos o controle à IG4.
A tomada do controle de empresas em tentativa de reerguê-las é parte da estratégia de atuação da IG4. A gestora acredita que sua experiência em reestruturação financeira pode facilitar acordo com credores para renegociar dívidas em troca de uma perspectiva de crescimento futuro das companhias.
A Oncoclínicas está no radar da IG4 há alguns anos, primeiro como parceira da Opy, uma empresa de infraestrutura hospitalar em que a gestora tem participação. No início do ano, começaram conversas para compra da fatia do Goldman Sachs na empresa.
Caso a operação seja bem-sucedida, a IG4 deve repetir um modelo já adotado em outros negócios, com a nomeação de executivos para o conselho de administração e para a direção da companhia. Passará também a negociar o plano de recuperação com os credores financeiros.
A gestora crê que os R$ 500 milhões iniciais são suficientes para aliviar o caixa operacional da empresa e sustentar um plano de racionalização do portfólio, com foco na operação das clínicas.
Fundada em 2010 pelo oncologista Bruno Ferrari, a Oncoclínicas é a maior rede privada de tratamento oncológico do Brasil. São 142 unidades em 49 cidades. Segundo relatório recente, mais de 1.700 médicos especializados integram a companhia.
Em 2021, a companhia realizou a abertura de capital na Bolsa e iniciou um movimento de expansão agressiva, com uma estratégia de aquisições de hospitais de alta complexidade. Isso fez com que a rede ampliasse significativamente a alavancagem.
Em 2024, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, começou a adquirir ações da empresa até chegar a uma fatia de 20,18% do capital, em operações questionadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Com a prisão de Vorcaro e a liquidação do Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, a Oncoclínicas entrou em uma espiral de problemas financeiros. Em abril, reportou um prejuízo consolidado de R$ 3,67 bilhões para o ano de 2025.
A IG4 está envolvida hoje nos dois maiores processos de recuperação extrajudicial do país, Braskem e Raízen. Na primeira, se tornou sócia da Petrobras ao comprar ações da Novonor (ex-Odebrecht). Na segunda, ainda negocia com credores uma proposta para entrar no negócio.
Raio-X | Oncoclínicas
Fundação: 2010
Atuação: rede privada especializada em tratamento de câncer (oncologia, hematologia, radioterapia e serviços hospitalares)
Receita Bruta: R$ 6,3 bilhões em 2025
Prejuízo: R$ 3,6 bilhões em 2025
Tamanho da operação: 142 unidades em 49 cidades do país e Arábia Saudita



