SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um ataque aéreo atribuído a Israel matou oito pessoas e feriu dezenas nesta sexta-feira (17) ao atingir uma concentração de civis nas proximidades de um mercado no campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza.
Segundo serviços de socorro e testemunhas locais, as vítimas participavam do cortejo fúnebre de um homem que havia sido morto em outro bombardeio atribuído às forças israelenses na mesma região, no início do dia.
A Defesa Civil de Gaza controlada pelo Hamas e o hospital Al Awda confirmaram o número de vítimas do bombardeio na zona do mercado de Al Balata. De acordo com autoridades médicas, além dos oito mortos, a ofensiva feriu de 20 a 22 pessoas. Mahmud Basal, porta-voz da agência de socorro em Gaza, confirmou à AFP que o projétil atingiu os enlutados que acompanhavam o funeral.
Considerando outras ações militares registradas no mesmo dia, o total de mortos nesta sexta subiu para ao menos 13 palestinos. Entre as vítimas de ataques separados em diferentes pontos do território estão duas mulheres e o próprio homem cujo sepultamento era realizado no momento do bombardeio ao mercado.
O Hamas condenou a ação em Nuseirat, classificando-a de “massacre brutal” contra civis em momento de luto, e instou a Organização das Nações Unidas (ONU) e os países mediadores a agirem imediatamente para interromper os ataques israelenses.
Por sua vez, o Exército de Israel confirmou a autoria da ofensiva, afirmando ter mirado e atingido uma “célula terrorista” pertencente à organização Jihad Islâmico, grupo que atua conjuntamente com o Hamas em partes da Faixa de Gaza. Os militares informaram ainda estar “cientes das acusações de que indivíduos não envolvidos foram feridos como resultado do ataque”.
ORDENS DE RETIRADA E PERSISTÊNCIA DA VIOLÊNCIA
Apesar de o acordo de cessar-fogo firmado em outubro passado entre Israel e os terroristas do Hamas continuar formalmente em vigor, a violência na região persiste, e os esforços diplomáticos para alcançar um acordo duradouro para pôr fim à guerra encontram-se atualmente estancados.
Moradores de uma área a leste de Deir al-Balah, também no centro de Gaza, relataram que as forças israelenses utilizaram drones para transmitir mensagens de áudio ordenando o esvaziamento imediato de suas residências, o que forçou a fuga de dezenas de famílias em busca de segurança.
A trégua conseguiu interromper os confrontos terrestres em grande escala, mas não cessou os ataques aéreos e bombardeios quase diários promovidos por Israel, que diz visar exclusivamente alvos militantes.
Dados divulgados pelas autoridades de saúde de Gaza indicam que mais de 1.127 palestinos a maioria composta por civis foram mortos por ações militares israelenses desde o início da vigência do cessar-fogo em outubro (números que a ONU considera confiáveis).
O Hamas, de forma habitual, não divulga o balanço de baixas entre seus combatentes. No mesmo período, quatro soldados israelenses foram mortos por militantes dentro do território.


