SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A morte de um homem durante uma ação de policiais militares na rua Piemonteses, no Jardim do Lago, zona oeste de São Paulo, na manhã de quinta-feira (16) aumentou a lista de casos sem imagens de câmeras corporais.
A informação consta no boletim de ocorrência, documento oficial da Secretaria da Segurança Pública. “Nenhum policial da equipe envolvida portava câmera corporal operacional (COP), em virtude de o sistema Motorola apresentar falhas, havendo um chamado global referente a essa falha registrado às 160421jul26.”
A formulação dos números é de uso comum pela PM e indica a data (16), o horário (4h21), o mês (julho) e o ano (26).
O sistema de câmeras da Motorola foi implementado pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) em maio do ano passado. Anteriormente, a Axon era a fornecedora do equipamento.
Atualmente o estado possui 15 mil equipamentos, mas nem todos estão ativos diariamente nas ruas, uma vez que as baterias necessitam de uma carga completa de 12 horas.
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse que não há falha generalizada nas Câmeras Operacionais Portáteis da Polícia Militar, nem equipamentos atualmente fora de funcionamento em razão do episódio mencionado.
“Na madrugada de 16 de julho, foi registrada uma instabilidade pontual no link de internet utilizado pelo sistema durante o procedimento de entrada em serviço das equipes. As câmeras que já estavam em operação não foram afetadas”, afirmou.
“A expressão ‘chamado global’ é uma classificação utilizada pelo suporte técnico quando há mais de um registro relacionado ao mesmo tipo de instabilidade. O termo não significa que todas as câmeras do estado tenham deixado de funcionar”, acrescentou a nota da corporação.
No caso citado pela reportagem, detalhou a PM, o procedimento de entrada em serviço da equipe teria coincidido com o período de instabilidade. “Os policiais foram orientados a retornar à unidade assim que possível para regularizar o uso dos equipamentos, mas a dinâmica do atendimento das ocorrências impediu o retorno naquele momento.”
Ainda conforme o governo, eventuais defeitos nos equipamentos são submetidos ao suporte técnico e, quando necessário, as câmeras são substituídas imediatamente, em até 12 horas.
“O episódio registrado, contudo, não decorreu de defeito nos aparelhos, mas de uma oscilação temporária de conectividade.”
Procurada, a Motorola Solutions disse que houve uma oscilação pontual local no link de internet responsável pela atribuição de câmeras, o qual foi rapidamente reestabelecido. “Esta oscilação não afetou câmeras já ativas em campo. Todos os termos contratuais foram mantidos, garantindo os índices de disponibilidade do sistema.”
Segundo o policial que apresentou a ocorrência à Polícia Civil, os agentes todos do 5º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) iniciaram uma operação contra o tráfico de drogas na favela Piemonteses por volta das 5h50.
Junto a eles estava um cão farejador, que mudou de comportamento perto de um portão de madeira entreaberto que dava acesso a uma escada. Os policiais entraram no local antes do animal.
Ao subirem a escada, viram um homem com uma arma em punho, apontada para eles. Os PMs reagiram com um tiro de fuzil e um de pistola. Baleado, o homem foi encaminhado ao Hospital Universitário, no Butantã, onde morreu.
O PM que narrou o ocorrido fazia parte da equipe, mas não estava presente no momento dos fatos. Após relatar a versão, ele afirmou que os policiais não portavam os equipamentos corporais devido à inoperância do sistema.
No imóvel, os policiais encontraram um documento com foto do baleado que depois se constatou ser falso. O sistema Muralha Paulista identificou o morto como Wesley da Silva Baltar, 34. Segundo os agentes, ele estava na posse de um revólver calibre 38, marca Rossi, com a numeração raspada.
Wesley da Silva Baltar tinha um mandado de prisão preventiva em aberto, expedido em 7 de fevereiro de 2024, sob suspeita de ter matado a facadas Vittoria Barbosa Souza em 30 de julho de 2023, em um imóvel na rua Luiz Ricardo, no Jardim São Francisco, zona leste da capital.
A investigação da época apontou que o crime foi motivado pela condição de sexo feminino da vítima, envolvendo violência doméstica e familiar, o que caracteriza feminicídio.


