BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Laudemir Müller, afirmou nesta sexta-feira (17) que a entidade lançará, em agosto, um plano de diversificação de mercados de R$ 130 milhões diante do impacto das taxas americanas de 25% sobre produtos brasileiros.

Müller criticou o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump. Segundo ele, a decisão dos Estados Unidos é uma medida “absurda do ponto de vista comercial” e “não tem nenhuma lógica”. “Não há uma empresa americana que esteve conosco que defenda a medida americana.”

O governo Lula (PT) estimou na quarta (15) que o tarifaço atinge 18% das exportações brasileiras aos EUA, ou cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões), considerando dados de 2024. Para os números de 2025, a ApexBrasil afirmou que US$ 7,2 bilhões são afetados.

“O estado de São Paulo é o com maior impacto. Dos US$ 7,2 bilhões, US$ 3 bilhões são de São Paulo. De Santa Catarina, 68% das exportações para os EUA estão impactadas. Se a gente pegar só São Paulo e Santa Catarina, dá 52% do impacto do tarifaço”, disse Laudemir Müller em entrevista a jornalistas.

Em São Paulo, a agência listou entre os principais itens exportados que foram atingidos o etanol, veículos, plásticos, máquinas e instrumentos mecânicos, borracha e seus derivados, gorduras e óleos animais ou vegetais, instrumentos e aparelhos médicos.

Já os catarinenses têm entre os mais afetados pelas taxas: madeira e carvão vegetal, móveis e também máquinas e instrumentos mecânicos.

Sobre o plano de diversificação de mercados, a prioridade será aumentar as exportações brasileiras para a Europa, pelo acordo comercial firmado com o Mercosul e para a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que conta, por exemplo, com Indonésia e Vietnã. O presidente da ApexBrasil também citou países da Ásia Central, que, segundo ele, têm procurado o Brasil, como Uzbequistão e Cazaquistão.

“Vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos, para a gente aumentar a nossa exportação para os EUA, especialmente desses 85 produtos que entraram na lista de exceção”, afirmou chefe da agência.

Questionado sobre como funcionará o plano na prática, Müller disse que os detalhes serão anunciados no lançamento. Mencionou que a ApexBrasil intermediará negociações entre as empresas brasileiras e compradores estrangeiros, além de participar de feiras e realizar missões internacionais. A agência tem escritórios na Europa e nos Estados Unidos.

Também afirmou que a entidade seguirá tentando negociar um aumento das isenções, mas reconheceu que os impactos nos setores serão diversificados e que alguns deles podem enfrentar maior dificuldade na expansão de novos mercados.

Segundo Laudemir Müller, a ApexBrasil mantém contato com 57 empresas e entidades. Todos os setores afetados pelas tarifas de 25% serão apoiados pela agência no processo.

Ele citou grupos como Abmel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais), Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados) e Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário).

Müller também afirmou que a decisão de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA cabe ao Palácio do Planalto, mas mencionou que há uma preocupação de que os setores brasileiros percam espaço com a medida do governo Trump.

“É justamente o que não queremos que aconteça porque esse é o grande dano: quando não apenas se deixa de exportar, mas quebra o relacionamento”, declarou.

Questionado sobre uma possível nova taxa, que pode resultar de uma investigação por suposto uso de trabalho forçado, o chefe da Apex disse que o Brasil não “deve nada para ninguém e não deve temer, o que não significa que não precisamos nos preparar”.

Nesse caso, a tarifa será de 12,5%. A decisão sobre aplicação ou não das taxas cabe novamente a Trump.