Da Redação
A Ucrânia afirma que as forças russas intensificaram a execução de prisioneiros de guerra capturados no campo de batalha e investiga mais de 900 mortes atribuídas a esse tipo de ação desde o início da invasão. Enquanto isso, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou ao menos 129 execuções de militares ucranianos sob custódia, classificando os casos como possíveis violações do direito internacional humanitário.
Segundo autoridades ucranianas, as execuções deixaram de ser episódios isolados e passaram a ocorrer com maior frequência a partir de 2023. A Procuradoria-Geral da Ucrânia sustenta que há indícios de que os assassinatos de soldados rendidos façam parte de uma prática sistemática adotada por forças russas.
Um dos casos mais emblemáticos é o do soldado Andriy Dubnytsky, de 25 anos. Ferido durante a retirada das tropas ucranianas de Avdiivka, em fevereiro de 2024, ele informou à esposa por telefone que provavelmente seria capturado. Pouco antes de perder contato, enviou uma última mensagem avisando que ele e outros militares estavam prestes a se render.
Dois dias depois, a esposa reconheceu o corpo do marido em um vídeo divulgado nas redes sociais russas, que mostrava cinco soldados ucranianos mortos. A identificação foi possível por causa de uma tatuagem em formato de cruz na mão. De acordo com a 110ª Brigada das Forças Armadas da Ucrânia, o grupo havia se rendido antes de ser executado. O episódio passou a ser investigado como possível crime de guerra.
Os números apresentados por diferentes órgãos variam conforme a metodologia utilizada. A ONU confirmou 129 execuções de prisioneiros de guerra ucranianos desde o início do conflito. Já a Procuradoria ucraniana instaurou 116 investigações relacionadas à morte de 306 militares capturados.
Os serviços de inteligência da Ucrânia, por sua vez, estimam que mais de 900 soldados tenham sido mortos em aproximadamente 340 episódios distintos. Segundo as autoridades do país, a diferença ocorre porque o Ministério Público contabiliza apenas casos comprovados por documentação e perícias, enquanto os órgãos de inteligência também consideram relatos obtidos diretamente das unidades militares que atuam na linha de frente.
O governo russo não comentou especificamente os novos números divulgados por Kiev. Moscou, no entanto, rejeita reiteradamente acusações de crimes de guerra e afirma que também existem violações cometidas pelas forças ucranianas durante o conflito.
Pelas Convenções de Genebra, militares que se rendem passam automaticamente à condição de prisioneiros de guerra e devem ser protegidos contra execuções, tortura e qualquer forma de maus-tratos. Violações dessas normas podem configurar crimes de guerra passíveis de responsabilização internacional.
Até o momento, apenas cinco militares russos foram condenados pela Justiça ucraniana por execuções de prisioneiros de guerra, sendo que dois deles foram julgados à revelia. Apesar das investigações em andamento, familiares das vítimas afirmam que a responsabilização dos envolvidos dificilmente será suficiente para amenizar as perdas provocadas pela guerra.






