Da Redação
A disputa territorial entre Japão e China voltou a provocar tensão no Mar da China Oriental nesta terça-feira (7). Os dois países trocaram acusações após um novo confronto envolvendo embarcações das guardas costeiras nas proximidades das ilhas Senkaku, administradas por Tóquio, mas reivindicadas por Pequim, que se refere ao arquipélago como Diaoyu. O episódio reacendeu uma das mais antigas disputas geopolíticas da Ásia.
De acordo com a Guarda Costeira do Japão, dois navios chineses entraram em águas territoriais japonesas e se aproximaram de uma embarcação pesqueira do país. As autoridades japonesas afirmam que ordenaram imediatamente a retirada das embarcações chinesas, classificando a incursão como uma violação do direito internacional e da soberania japonesa.
A versão apresentada por Pequim, no entanto, é diferente. A Guarda Costeira da China afirmou que um barco pesqueiro japonês, identificado como Zuihou Maru, teria ingressado em águas consideradas chinesas. Segundo o governo chinês, equipes de patrulhamento realizaram ações de advertência e obrigaram a embarcação japonesa a deixar a região, alegando que a operação ocorreu dentro da jurisdição chinesa.
As ilhas Senkaku, chamadas de Diaoyu pela China, são desabitadas e ficam localizadas entre a ilha japonesa de Okinawa e Taiwan. Apesar de serem administradas pelo Japão desde 1972, o arquipélago é reivindicado por Pequim, que sustenta possuir direitos históricos sobre o território. A disputa é intensificada pelo potencial estratégico da região, rica em recursos pesqueiros e com possíveis reservas de petróleo e gás natural.
O novo incidente ocorre em um momento de relações diplomáticas já desgastadas entre os dois países. No fim de 2025, o clima se deteriorou após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmando que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia levar o Japão a responder militarmente. As declarações provocaram forte reação do governo chinês e ampliaram as tensões na região.
Apesar da troca de acusações, até o momento não há registro de confronto armado ou de pessoas feridas. Ainda assim, o episódio reforça o ambiente de instabilidade no Mar da China Oriental, onde patrulhas navais e incursões envolvendo embarcações dos dois países são frequentes e mantêm elevado o risco de novos atritos diplomáticos e militares.








