Da Redação

Levantamento indica rejeição à exposição pública do conflito entre a ex-primeira-dama e o senador dentro do eleitorado bolsonarista, enquanto brasileiros se dividem sobre o episódio

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (2) pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revelou que a maior parte dos eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro desaprovou a decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de divulgar um vídeo expondo seu desentendimento com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o levantamento, 65,6% dos entrevistados que se identificam como eleitores de Jair Bolsonaro consideraram inadequada a divulgação pública do vídeo. Outros 24,8% afirmaram apoiar a atitude de Michelle, enquanto 9,6% disseram não ter opinião formada sobre o assunto.

Quando considerada toda a amostra da pesquisa, independentemente da preferência política, o cenário é diferente. Entre o eleitorado geral, 51% avaliaram positivamente a decisão da ex-primeira-dama de tornar pública a divergência com Flávio Bolsonaro. Já 39% desaprovaram a iniciativa e 10% não souberam responder.

O vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro marcou o agravamento da crise entre ela e o senador. Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio durante discussões internas envolvendo a condução política do Partido Liberal (PL). A publicação intensificou o desgaste dentro do grupo bolsonarista em meio às articulações para a disputa presidencial de 2026.

A repercussão do episódio levou Flávio Bolsonaro a reforçar publicamente o discurso de união entre os aliados e a buscar aproximação com o eleitorado feminino, considerado estratégico para sua campanha. Nos últimos dias, o senador participou de reuniões com lideranças mulheres do PL e divulgou nota reafirmando seu respeito por Michelle Bolsonaro.

Especialistas apontam que o conflito pode afetar a estratégia eleitoral do senador, principalmente porque Michelle é uma das figuras mais influentes entre mulheres conservadoras e evangélicas, segmentos considerados importantes para o desempenho da direita nas eleições de outubro.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg também evidencia que a percepção sobre o episódio varia de acordo com o perfil político dos entrevistados. Enquanto a maioria dos apoiadores de Jair Bolsonaro preferiu que o conflito permanecesse restrito ao ambiente interno da família e do partido, parte significativa do eleitorado em geral considerou legítima a manifestação pública da ex-primeira-dama.