Da Redação
O vereador paulistano Senival Moura foi preso na manhã desta quinta-feira (25) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que recursos da facção criminosa teriam sido movimentados por meio da empresa de transporte coletivo Transunião, que atua na capital paulista.
Batizada de Operação Última Parada, a ação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e mais de uma centena de mandados de busca e apreensão em endereços localizados na cidade de São Paulo, na Região Metropolitana e também no município de Extrema, em Minas Gerais. As diligências foram coordenadas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em conjunto com promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo os investigadores, Senival Moura exerceria influência direta sobre a administração da Transunião, embora não ocupasse formalmente cargo na direção da empresa. A suspeita é de que a companhia tenha sido utilizada para ocultar e dar aparência legal a recursos provenientes das atividades do PCC.
Além do vereador, também foram presos outros investigados apontados como integrantes do esquema. Entre eles estão pessoas ligadas à gestão da empresa de ônibus e suspeitos de atuar como operadores financeiros do grupo. Parte dos detidos já havia sido investigada em apurações anteriores relacionadas ao transporte coletivo da capital paulista.
As investigações têm origem em apurações iniciadas há vários anos sobre a atuação do crime organizado no sistema de transporte público. Em 2022, Senival Moura já havia sido alvo de uma operação policial que investigava possíveis ligações entre a Transunião e o PCC. Na ocasião, a polícia apontou indícios de lavagem de dinheiro e suspeitas de que integrantes da facção utilizavam a empresa para movimentar recursos ilícitos. O vereador negou qualquer irregularidade.
O caso ganhou novos desdobramentos após outras operações deflagradas pelo Ministério Público contra empresas de ônibus suspeitas de manter vínculos com a facção criminosa. Nos últimos anos, investigações apontaram que organizações ligadas ao PCC teriam utilizado companhias de transporte para lavar dinheiro obtido com o tráfico de drogas e outras atividades ilegais.
Até o momento, a defesa de Senival Moura não havia se manifestado detalhadamente sobre a prisão. Em investigações anteriores, o parlamentar sempre negou envolvimento com organizações criminosas e afirmou estar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
As autoridades agora analisam documentos, registros financeiros e materiais apreendidos durante a operação para identificar a extensão do esquema e verificar a participação de outros envolvidos. A investigação também busca rastrear o caminho dos recursos que teriam sido movimentados por meio da empresa de transporte coletivo.




