Da Redação
Uma campanha promocional lançada por um frigorífico de Goiânia ganhou grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias. A ação, que utiliza a imagem do atacante Neymar Jr. em embalagens de picanha, ultrapassou a marca de um milhão de visualizações e reacendeu debates sobre marketing político, posicionamento ideológico e discriminação de consumidores.
Batizada de “Picanha do Neymar”, a iniciativa foi criada pelo Frigorífico Goiás, empresa que já havia chamado atenção anteriormente por comercializar produtos estampados com imagens de figuras políticas e lideranças conservadoras, como Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Javier Milei.
Campanha usa imagem de Neymar e faz referência ao hexa
Em vídeo divulgado nas redes sociais da empresa, a embalagem da carne aparece com uma fotografia de Neymar em posição de sentido diante da bandeira do Brasil. Na arte promocional, a peça recebeu o nome de “Picanha Haxa”, em referência ao sonho da conquista do sexto título mundial da Seleção Brasileira.
A campanha também prevê uma promoção especial. Segundo o anúncio, consumidores que comprarem três unidades da chamada “Picanha do Neymar” receberão outras três peças estampadas com imagens de Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Javier Milei.
O conteúdo rapidamente se espalhou pelas redes sociais, acumulando milhares de compartilhamentos, comentários e reações, o que ampliou ainda mais a visibilidade da ação publicitária.
Exclusão de apoiadores de Lula gera críticas
O que mais chamou atenção, porém, foi o texto utilizado na legenda da publicação. No anúncio, a empresa afirma que a promoção não seria válida para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A mensagem provocou forte repercussão entre internautas, dividindo opiniões. Enquanto alguns seguidores elogiaram a postura adotada pelo frigorífico, outros classificaram a campanha como discriminatória e inadequada para uma ação comercial.
A restrição política mencionada na propaganda se tornou um dos principais assuntos discutidos nos comentários da publicação e contribuiu para ampliar a polêmica em torno da iniciativa.
Preço da carne também virou alvo de debate
Além da questão política, outro ponto que gerou discussões foi o valor cobrado pelas peças de picanha. Diversos usuários questionaram o preço anunciado pelo estabelecimento, considerado elevado por parte do público.
Nos comentários, internautas compararam o produto com outras marcas disponíveis no mercado e ironizaram o custo da carne. Houve também quem afirmasse que o verdadeiro objetivo da campanha seria gerar repercussão e visibilidade para a marca, independentemente das vendas efetivamente realizadas.
Histórico de campanhas controversas
Esta não é a primeira vez que o Frigorífico Goiás se envolve em polêmicas relacionadas a posicionamentos políticos. Nos últimos anos, a empresa ganhou notoriedade por divulgar campanhas com mensagens direcionadas a eleitores e simpatizantes de diferentes correntes ideológicas, especialmente ligadas à direita brasileira.
O estabelecimento já comercializou produtos estampados com imagens de líderes conservadores e chegou a divulgar peças publicitárias que geraram questionamentos por parte de consumidores e órgãos de fiscalização.
Empresa já foi condenada pela Justiça
O histórico de controvérsias inclui também decisões judiciais. Em fevereiro deste ano, o frigorífico foi condenado ao pagamento de R$ 130 mil em razão de campanhas consideradas ofensivas e excludentes. Entre os materiais analisados estavam anúncios com mensagens direcionadas a eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).
O caso teve repercussão junto ao Ministério Público e aos órgãos de defesa do consumidor, que avaliaram possíveis violações aos direitos dos clientes e ao princípio da não discriminação nas relações de consumo.
Marketing ou posicionamento político?
A nova campanha reforça uma estratégia que tem se tornado característica da empresa: utilizar temas políticos e figuras públicas para atrair atenção nas redes sociais. O modelo tem garantido grande alcance digital e elevado engajamento, mas também gera críticas frequentes e questionamentos sobre os limites entre publicidade, opinião política e atividade comercial.
Enquanto apoiadores consideram as ações uma forma legítima de manifestação, críticos argumentam que empresas abertas ao público devem evitar qualquer tipo de restrição ou diferenciação baseada em convicções políticas. A discussão voltou a ganhar força após a viralização da “Picanha do Neymar”, que transformou o frigorífico goianiense novamente em um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.



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