Da Redação
O deputado estadual Major Araújo afirmou que está disposto a aceitar eventuais punições do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), desde que as sanções sejam aplicadas também ao deputado Amauri Ribeiro. A declaração foi dada em meio ao processo que apura a troca de ofensas e ameaças entre os dois parlamentares durante sessões da Casa.
O caso teve início após uma série de discussões acaloradas entre os dois deputados, ambos filiados ao PL. Em um dos episódios mais tensos, ocorrido no plenário da Alego, o debate político evoluiu para ataques pessoais, troca de insultos e ameaças, levando à interrupção da sessão legislativa. Durante a confusão, Major Araújo reagiu a provocações feitas por Amauri Ribeiro, que o chamou de “soldadinho de brinquedo” durante o embate verbal.
A repercussão do confronto levou o caso ao Conselho de Ética da Assembleia. O colegiado foi convocado para avaliar se houve quebra de decoro parlamentar e quais medidas disciplinares poderão ser adotadas contra os envolvidos. O presidente do conselho, deputado Charles Bento, afirmou que a situação gerou forte desgaste para a imagem da Casa e que o episódio exige uma análise formal dos fatos.
Em entrevista, Major Araújo disse já ter sido oficialmente intimado sobre o andamento do processo e informou que o relator do caso deverá ser o deputado Virmondes Cruvinel. Segundo ele, não há preocupação com a investigação, desde que o julgamento considere a conduta dos dois parlamentares.
O deputado argumenta que suas reações ocorreram em resposta a agressões verbais e sustenta que não aceita ser alvo de ofensas sem responder. Para ele, a Mesa Diretora da Assembleia deveria agir com mais firmeza para impedir que discussões parlamentares ultrapassem os limites do debate político e se transformem em confrontos pessoais. Araújo defendeu, inclusive, mecanismos mais rígidos para interromper discursos considerados ofensivos dentro do plenário.
Ao comentar a possibilidade de punição, o parlamentar afirmou que já enfrentou outros processos disciplinares ao longo da carreira política e que não vê problema em responder por seus atos. No entanto, ressaltou que considera injusto ser responsabilizado sozinho por uma confusão que, segundo ele, teve participação dos dois lados. “Estou pronto para arcar com as consequências dos meus atos”, declarou, reforçando que espera tratamento igualitário por parte do Conselho de Ética.
A tensão entre os deputados aumentou ainda mais após Major Araújo solicitar autorização para portar arma de fogo dentro da Assembleia Legislativa. O pedido foi apresentado depois das ameaças trocadas entre os parlamentares, mas acabou rejeitado pelo presidente da Alego, Bruno Peixoto, que afirmou não ser admissível o porte de armas no plenário.
Além da análise do Conselho de Ética, os parlamentares também protocolaram representações mútuas relacionadas aos episódios ocorridos na Assembleia. O processo segue em tramitação e poderá resultar em advertências, censuras ou outras penalidades previstas no regimento interno da Casa, caso seja confirmada a quebra de decoro parlamentar.
A expectativa é que o Conselho de Ética conclua a apuração nas próximas semanas. Enquanto isso, o episódio continua repercutindo nos bastidores da política goiana, sobretudo pelo fato de envolver dois deputados do mesmo partido e por ter exposto publicamente uma disputa que ultrapassou o campo das divergências políticas e chegou ao confronto pessoal.







