SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma operação da Polícia Militar em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, teve troca de tiros, um homem baleado e um ônibus do transporte público atingido na noite desta terça-feira (9).

O ônibus estava sem passageiros no momento do tiroteio. O homem baleado não estava no veículo e seria um suspeito de tráfico de drogas. Ele foi levado para um hospital da região.

A ação policial está mais intensa na região desde segunda-feira (8), após um policial militar de folga ser baleado ao reagir a um assalto no domingo (7). De folga, ele seguia para a academia acompanhado da esposa quando viu um casal sendo roubado.

O cabo Thiago Pereira da Silva foi atingido por cinco disparos —dois no abdômen, um no braço direito e um em cada perna. Socorrido, foi encaminhado ao Hospital Albert Einstein, onde passou por cirurgia. Não foram divulgados detalhes de seu estado de saúde.

O tenente-coronel Ives Minosso, responsável pela operação, afirmou em entrevista à Globo que a ação das equipes da Força Tática faz parte da estratégia de combate ao crime organizado.

Segundo ele, durante ação em uma das vielas conhecida por ser ponto de tráfico de drogas os policiais encontraram ao menos quatro suspeitos armados. Eles estariam fazendo a segurança do local.

“Houve confronto e diversos disparos foram efetuados contra as equipes policiais. Um criminoso foi alvejado com disparos de fuzil nas pernas. Ele foi socorrido de imediato, se encontra em estado grave”, disse Minosso.

De acordo com o tenente-coronel, foram localizadas com o suspeito duas mochilas com drogas, além de uma pistola calibre 9 milímetros.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou nesta quarta-feira (10) que a polícia continuará as buscas pelo autor do disparo contra o agente. “Eu quero prender e levar ele para a Justiça”, disse Nico.

Ao comentar o caso, Nico destacou a violência empregada pelos criminosos após os disparos. “Depois uma pessoa vai executar ele [o cabo] lá na garagem, chuta a cara dele. Eu não posso deixar um cara desse na rua”, afirmou.

De acordo com o secretário, o suspeito já foi preso anteriormente e voltou a cometer crimes após ser solto. “É uma pessoa ligada a roubos de celular, roubos de anel e roubos de corrente.”

Apesar das críticas de moradores sobre o impacto das operações na rotina da comunidade, Nico afirmou que a presença policial será mantida. “Eu sei que às vezes incomoda a pessoa de bem, mas a gente tem que trabalhar. Não pode deixar elementos que se infiltram na população e se escondem atrás das pessoas de bem”, disse.

As forças de segurança localizaram duas chamadas “casas-bomba” usadas para armazenar drogas e realizaram apreensões na comunidade.

Em maio, a Folha de S.Paulo mostrou que a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) fez da favela de Paraisópolis, a maior da cidade, seu principal centro de comando. Nos últimos dois anos, o grupo também vem implantando ali um nível inédito de controle territorial.

O cenário descrito é de ampliação do controle exercido pelo PCC sobre Paraisópolis, afetando a rotina dos quase 60 mil moradores. Entre as medidas estão a implantação de taxas a comerciantes, bloqueio de vias de acesso, fiscalização das atividades das organizações sociais e até o uso forçado de lideranças em protestos orquestrados pela facção.

Na ocasião, o governo do estado disse que o combate ao crime organizado era prioridade, e a associação de moradores negou qualquer vínculo com a facção.