SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apoiadores e militantes bolsonaristas variaram o tradicional verde e amarelo e se adaptaram para enfrentar o frio de São Paulo sem deixar de estampar suas preferências políticas no visual que escolheram para a convenção nacional do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.

A advogada Marta Cristina da Silva Paula, 43, disse que decidiu usar a alfaiataria a seu favor ao optar por um vestido verde com blazer amarelo. O tênis de estampa animal print foi “uma opção pelo conforto”, que junto dos óculos escuros completaram o figurino. “Através da moda podemos representar as cores do Brasil”, afirma ela, que viajou 15 horas de ônibus desde Brasília para a convenção.

Mulher negra, ela se diz se sentir integrada no bolsonarismo. “Aqueles que têm resistência ao movimento da direita é porque não conhecem de fato o que é o Partido Liberal e suas bandeiras”, completa.

Surpreendentemente, a bancária e motociclista Márcia Araújo, 53, optou por uma malha vermelha por baixo da jaqueta de couro. O boné, no entanto, afastava qualquer dúvida: “Flávio Bolsonaro 2026” dizia o bordado no acessório verde militar.

“O vermelho é do outro partido”, disse ela, recusando-se a nomear o PT. “Mas, na verdade, é porque está frio. E o vermelho é uma cor bonita e forte, só está no partido errado.” A temperatura na capital paulista variou entre 14°C e 21°C neste sábado (25).

“Temos que abolir esse PT do país”, emendou Jocelino Miguel, 60, que a acompanhava. Motociclista e guarda municipal, ele é fundador do motoclube “Brasil Acima de Tudo”, criado a partir das motociatas do ex-presidente.

Um ponto brilhante no centro de convenções dentro do estádio do Pacaembu, a balconista aposentada Alexandra dos Santos, 44, diz que ama paetê —e aderiu ao glitter também na maquiagem. A blusa dourada com gola verde-amarela era, na verdade, uma aquisição para a Copa do Mundo deste ano. O Brasil foi eliminado no último dia 5, nas oitavas de final.

“Independentemente de o Brasil perder ou ganhar, eu uso essa blusa, porque amo paetê. Sou brasileira e não desisto nunca”, diz ela, mencionando ter passado por um câncer de mama.

Se as cores patriotas remetem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o rosa bebê do PL Mulher virou símbolo de Michelle Bolsonaro (PL). A empresária, professora e pré-candidata no Paraná Dirlete Pinheiro, 54, resolveu homenagear a ex-primeira-dama com a camiseta do segmento partidário.

“Michelle é uma mulher que levanta as mesmas bandeiras que eu. Ela foi um marco para nós. O país precisa de mais mulheres que se posicionam”, diz.

O repertório do estilo bolsonarista estava completo na convenção —bandeiras do Brasil e dos EUA, chapéus nas cores nacionais, cartazes com a imagem de Bolsonaro e até um boné “Make Brazil Great Again”, em referência a Donald Trump.

Dentro do evento, a estrela era o presidente da Argentina, Javier Milei, enquanto do lado de fora outro argentino posava para fotos —Gustavo Segré, 64, colunista da Revista Oeste e ex-comentarista da Jovem Pan.

A camiseta metade Neymar e metade Messi refletia sua dupla nacionalidade. “Dei uma igual a essa para o Bolsonaro”, diz ele. “Milei é a demonstração de que a direita sabe administrar um país, ele vai ajudar a estimular muita gente de centro que simpatiza com ele”, afirma sobre o papel do compatriota na eleição brasileira.

O cacique da etnia Arara Francisco Chagas Paulo Arara, 40, viajou quatro dias de ônibus do Amazonas para a convenção. “Não queremos garimpo e nem mineração no nosso território, isso vai destruir as aldeias”, disse.

Questionado a respeito da proposta de Flávio de que indígenas possam praticar mineração em suas áreas de proteção se desejarem, ele diz ser a favor. “Aceitamos nós trabalharmos, não queremos é mineração estrangeira”, afirma.

O influenciador Salomão Augusto, 35, tinha um discreto broche do PL em um traje formal com blazer, sapatos de couro e um lenço de bolso estampado. “Gosto de causar impacto e ser diferente dos iguais”, diz.

O apoio a Flávio, afirma, é porque “ele é o único capaz de acabar com a injustiça contra o ex-presidente e tem a pauta de liberdade para os presos do 8 de Janeiro”.