SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta quarta-feira (10) prendeu um suspeito de ser um elo importante na engrenagem que movimenta os furtos e roubos de celulares na capital paulista.

O homem foi preso em um prédio no Mandaqui, bairro na zona norte. Com ele, os policiais encontraram 182 celulares, além de equipamentos usados para dificultar que os celulares fossem rastreados pelas vítimas.

Um deles é uma bolsa conhecida como “gaiola de Faraday”. “Assim que o celular é roubado, ele é levado ao receptador dentro dessa bolsa, que tem uma blindagem eletromagnética que impede o rastreamento do aparelho”, explica o delegado Fernando Santiago, um dos responsáveis pela operação.

No apartamento do suspeito também foram encontrados quatro aparelhos conhecidos como “jammers”, usados para bloquear o sinal dos celulares e da internet no prédio onde o membro da quadrilha morava.

“Havia várias reclamações de moradores do prédio sobre problemas de conexão. Quando a operadora verificava o problema, não encontrava o motivo da falha de conexão. O morador do andar de cima, por exemplo, praticamente nunca conseguia se conectar à internet, mas não sabia o motivo”, explica Santiago.

Os equipamentos nem sempre funcionavam, no entanto. “Conseguimos encontrar boletins de ocorrência que mostravam a localização de celulares exatamente neste prédio. E foi assim que chegamos até ele”, diz Santiago.

Segundo os policiais, o homem preso, cujo nome não foi revelado, era um dos elos do mercado paralelo de celulares, alimentado por gangues que atuam nas ruas furtando e roubando os aparelhos. Os grupos atuam de bicicleta ou quebrando as janelas de carros e subtraindo os equipamentos dos ocupantes.

“Hoje podemos dizer que pegamos o cume dessa montanha criminosa. A próxima fase vai se chamar ‘avalanche’, porque vamos pegar todo mundo que está nessa montanha criminosa”, diz o delegado Bruno Calvo, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).

As investigações apontaram que também havia uma escala de valores por tipo de aparelhos. Aqueles com maior potencial de gerar lucro são negociados por quantias maiores. A polícia suspeita que esse mercado paralelo movimente milhões de reais por mês apenas na cidade de São Paulo. Segundo os policiais, o suspeito recebia cerca de mil celulares por semana.

“O que faz o celular valer mais [no mercado paralelo] é o valor das contas que podem ser subtraídas pelos hackers. Há celulares com contas em bancos ‘premiums’ que são negociados comercialmente por valores maiores”, diz o delegado Bruno Calvo, do Deic.

Segundo ele, parte dos aparelhos é repassada para lojas que depois revendem as peças. Uma dessas lojas também foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quarta. “Já os modelos mais caros que não podem ser desbloqueados no Brasil são levados para países onde é possível fazer isso”, diz.

Os policiais também encontraram 42 alianças no apartamento. “O foco é o celular, mas muitas vezes, durante os roubos, tudo o que está com a vítima é levado. As quadrilhas ganham de vários lados”, diz Calvo.

O roubo e furto de celulares têm sido um dos focos de críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em toda a cidade, segundo a Secretaria da Segurança Pública, foram registrados 37.216 ocorrências de roubos e furtos de celulares no primeiro trimestre deste ano, sendo 24.183 furtos e 13.033 roubos.