RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Uma parte do dinheiro emprestado pela GDA Luma à SAF Botafogo foi parar em uma empresa de nome quase igual, mas controlada por John Textor, nos Estados Unidos.
Um depósito de US$ 886 mil (R$ 4,6 milhões pela cotação atual) foi feito à SAF Botafogo USA Inc, em 17 de fevereiro, segundo documento ao qual o UOL teve acesso.
O repasse foi estabelecido na peça que sacramentou o empréstimo, cujo valor bruto foi de US$ 25 milhões (R$ 129 milhões). Após descontos, o total ficou em US$ 22,8 milhões (R$ 118,4 milhões).
Segundo documento, quem pegou o empréstimo o Botafogo, então sob o controle de Textor estipulou que os US$ 886 mil fossem depositados na SAF Botafogo USA.
Ainda que se trate de uma parcela de apenas 0,4% na comparação com o empréstimo como um todo, esse repasse à SAF Botafogo USA chamou a atenção da gestão atual do clube alvinegro no Brasil, após afastamento de Textor.
O Botafogo vive um estrangulamento de caixa e qualquer centavo faz a diferença, na visão de quem administra o clube no momento.
Do montante total, US$ 10 milhões foram usados para quitar parte da dívida com a MLS/Atlanta pela transferência de Thiago Almada. Foi com esse dinheiro que o Botafogo conseguiu sair, temporariamente, do transfer ban da Fifa.
Outro lado: O UOL procurou Textor e perguntou o motivo do repasse de parte do empréstimo aos EUA e se o dinheiro foi usado para alguma finalidade. O executivo preferiu não comentar.
O clube também informou que não vai ser manifestar sobre o caso.
O BOTAFOGO USA
A empresa foi criada em 2022, chegou a ser desativada, mas foi reestabelecida em 2024. A sede é na Flórida.
O endereço é o mesmo no qual está registrada a Eagle Football Holdings, a “empresa-mãe” de Textor na operação no futebol.
Textor trata a Botafogo USA como uma afiliada da SAF, sendo criada para facilitar e reduzir os custos das transações financeiras em dólares americanos, segundo apurou a reportagem.
O executivo também usou a empresa para reduzir os impostos retidos na fonte sobre os valores recebidos da Fifa pela participação no Mundial de Clubes.
O Botafogo tenta virar a página sem Textor, tanto que já assinou proposta vinculante para que a própria GDA Luma assuma os 90% das ações da SAF. O clube precisa ainda acertar os ponteiros com a Eagle Bidco e o Lyon.
Textor, por outro lado, bate o pé e diz que as ações ainda são dele.
LYON INVESTIGA TEXTOR
As atividades de John Textor estão sendo alvo de escrutínio no Lyon, agora controlado por Michele Kang.
Em comunicado publicado nesta segunda-feira (8), Eagle Bidco e Lyon informaram que houve a conclusão de uma investigação interna, encomendada a um escritório de advocacia externo ao clube.
“Essa investigação analisa uma série de transações realizadas entre maio de 2023 e junho de 2025 sob a gestão anterior do Lyon. O relatório conclui que houve uma desorganização deliberada das operações da empresa, acompanhada de uma opacidade sistemática na gestão financeira. O documento também destaca centenas de milhões de euros em fluxos financeiros aparentemente realizados sem justificativa econômica, inclusive em períodos de grave crise de caixa e de atrasos no pagamento de contribuições previdenciárias”, disse o comunicado.


