Da Redação
A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 sofreu novo adiamento na Câmara dos Deputados após um pedido de vista apresentado durante a comissão especial responsável pela análise do texto. Com isso, a votação do parecer ficou transferida para os próximos dias.
O pedido foi feito pelo deputado Maurício Marcon (PL-RS), que solicitou mais tempo para avaliar o relatório apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), aceitou o requerimento, o que interrompeu temporariamente a deliberação da proposta.
A expectativa inicial era que o texto fosse votado ainda nesta semana, mas o novo cronograma prevê retomada da discussão na próxima quarta-feira. A proposta vem sendo debatida em meio à pressão de trabalhadores, sindicatos, empresários e representantes do setor produtivo.
O relatório em discussão estabelece mudanças significativas nas regras trabalhistas brasileiras. Entre os principais pontos estão a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantia de dois dias de descanso remunerado e preferência para que uma das folgas ocorra aos domingos. O texto também mantém a proibição de redução salarial durante a transição.
A proposta do fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses e é considerada uma das principais pautas trabalhistas em debate no Congresso Nacional. Atualmente, o modelo predominante em diversos setores do comércio e serviços prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Apesar do avanço das discussões, a mudança ainda precisa passar por diferentes etapas legislativas antes de entrar em vigor. Após a comissão especial, o texto ainda deverá ser analisado pelo plenário da Câmara e, posteriormente, pelo Senado Federal.
Nos bastidores, parlamentares ligados ao empresariado defendem uma transição mais longa para adaptação das empresas às novas regras. Algumas emendas sugerem prazo de até dez anos para implementação total da nova jornada, além de exceções para setores considerados essenciais.
Já defensores da proposta afirmam que a redução da carga horária pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, diminuir o desgaste físico e mental e aumentar a produtividade. O tema também tem mobilizado debates nas redes sociais e gerado forte repercussão nacional.








