Da Redação

A demora do PT em definir quem será o candidato da legenda ao Governo de Goiás nas eleições de 2026 tem provocado desconforto interno e ampliado a pressão para que a deputada federal Adriana Accorsi entre de vez na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Lideranças partidárias avaliam que a indefinição já começa a prejudicar a articulação eleitoral da sigla no estado.

Uma reunião do diretório estadual petista está prevista para esta segunda-feira (25), em Goiânia, mas, segundo interlocutores do partido, o encontro deve tratar principalmente de questões internas e organização partidária, sem anúncio oficial sobre a candidatura ao governo.

Nos bastidores, dirigentes e militantes defendem que Adriana Accorsi seja escolhida como representante da esquerda na disputa estadual. A avaliação de parte do PT é que ela aparece como o nome mais competitivo do partido nas pesquisas e teria melhores condições de construir um palanque para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás.

O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Cláudio Curado, afirmou ao jornal O Hoje que existe forte insatisfação entre integrantes da legenda diante da falta de definição. Segundo ele, lideranças do interior cobram uma posição rápida para iniciar a mobilização eleitoral nos municípios.

Apesar da pressão, Adriana ainda demonstra resistência à ideia de disputar o Executivo estadual. A deputada tem sinalizado preferência pela tentativa de reeleição à Câmara Federal, além de priorizar a montagem das chapas proporcionais do partido em Goiás.

Outros nomes também aparecem nas discussões internas do PT, como o ex-deputado Luis Cesar Bueno, o advogado Valério Luiz Filho e o produtor rural Flávio Faedo. Ainda assim, aliados de Accorsi argumentam que nenhum deles apresenta desempenho semelhante ao da parlamentar nos levantamentos eleitorais.

A cobrança da direção nacional do PT também aumentou nas últimas semanas. Integrantes da cúpula partidária avaliam que Goiás precisa de uma candidatura forte para sustentar o projeto de reeleição de Lula em um estado historicamente conservador e com alta rejeição ao governo federal.

O cenário eleitoral goiano já começa a ganhar contornos mais definidos no campo da centro-direita e da direita. O vice-governador Daniel Vilela é apontado como principal nome da base governista para suceder Ronaldo Caiado, enquanto o ex-governador Marconi Perillo também articula sua pré-candidatura ao governo estadual.

Dentro do PT, a leitura é de que o atraso na escolha do candidato pode dificultar alianças e reduzir o espaço político da legenda em Goiás durante a corrida eleitoral de 2026.