Da Redação
A negociação envolvendo a venda das operações de níquel da mineradora Anglo American no Brasil para a empresa chinesa MMG enfrenta resistência da União Europeia e segue sem definição. O impasse envolve ativos localizados em Goiás e já provocou novo atraso na conclusão do acordo bilionário entre as companhias.
O negócio foi anunciado em fevereiro de 2025 e inclui minas e estruturas de produção de ferroníquel em cidades goianas, como Barro Alto e Niquelândia. A MMG, controlada pelo grupo estatal chinês China Minmetals, acertou a compra das operações por cerca de US$ 500 milhões.
Apesar do avanço das negociações, a Comissão Europeia decidiu aprofundar a análise da operação após identificar possíveis riscos ao mercado internacional de ferroníquel, matéria-prima utilizada principalmente na fabricação de aço inoxidável. O temor das autoridades europeias é de que a aquisição fortaleça o controle chinês sobre o fornecimento global do mineral e provoque dificuldades de abastecimento para indústrias do continente.
A transação passou a ser monitorada ainda no fim do ano passado, quando órgãos reguladores europeus iniciaram uma investigação mais detalhada sobre os impactos concorrenciais do negócio. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, executivos das empresas esperavam obter a aprovação até setembro de 2025, mas o prazo já precisou ser prorrogado duas vezes.
Além das preocupações ligadas à concentração de mercado, o caso também ganhou novos capítulos após a entrada de outros interessados nos ativos da Anglo American. A CoreX Holding, ligada ao empresário turco Robert Yüksel Yildirim, afirmou ter apresentado uma proposta superior à da MMG e questiona a negociação tanto no Brasil quanto na Europa.
O atraso na aprovação do acordo vem afetando diretamente os planos de reestruturação da Anglo American. A mineradora tenta reduzir sua participação em determinados segmentos para concentrar investimentos em áreas consideradas mais estratégicas e rentáveis. Com a indefinição, cresce a pressão sobre a companhia para reorganizar seus ativos globais.
As operações em Goiás têm relevância importante no mercado mineral brasileiro. As unidades de Barro Alto e Codemin estão entre as principais produtoras de ferroníquel do país e abastecem o mercado internacional há décadas.








