Da Redação

Lideranças do PSDB passaram a discutir nos bastidores a possibilidade de lançar o deputado federal Aécio Neves como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A movimentação ganhou força após o desgaste político enfrentado pelo senador Flávio Bolsonaro em meio à repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo interlocutores do partido, integrantes do PSDB, além de dirigentes do Cidadania e do Solidariedade, avaliam que o cenário atual abriu espaço para a construção de uma candidatura de centro-direita fora do núcleo bolsonarista tradicional. A proposta deverá ser debatida em uma reunião da federação PSDB-Cidadania prevista para os próximos dias.

O nome de Aécio voltou ao radar tucano após a crise envolvendo mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master. O episódio aumentou a pressão sobre a pré-candidatura do senador e provocou preocupação em partidos que buscavam se aproximar do eleitorado conservador sem associação direta ao desgaste recente do PL.

Nos bastidores, aliados do ex-governador mineiro acreditam que ele poderia ocupar um espaço político voltado ao eleitorado liberal e antipetista, especialmente diante da fragmentação da direita para 2026. O ex-presidente do Cidadania, Roberto Freire, é um dos defensores da discussão sobre uma candidatura tucana própria ao Palácio do Planalto.

Aécio Neves já disputou a Presidência da República em 2014, quando chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff e acabou derrotado por pequena diferença de votos. Desde então, o político mineiro enfrentou desgaste após investigações da Operação Lava Jato, mas segue influente dentro de setores históricos do PSDB.

Antes da articulação em torno de Aécio, o PSDB também estudava alternativas como o nome de Ciro Gomes, que optou por permanecer na disputa pelo governo do Ceará, e do governador gaúcho Eduardo Leite, que hoje está filiado ao PSD.

Apesar das conversas, integrantes da legenda reconhecem que uma eventual candidatura de Aécio ainda enfrentaria resistência interna e dificuldades para ampliar apoio nacional, principalmente por causa da rejeição acumulada pelo tucano nos últimos anos. Mesmo assim, o partido avalia que o atual cenário eleitoral pode favorecer nomes experientes e conhecidos do eleitorado brasileiro.