O projeto Mais Agro, Menos Tóxico levou capacitação sobre uso seguro de agrotóxicos à comunidade quilombola do Povoado Cabeçudo, no Nordeste Goiano. A ação foi realizada no último sábado (09/05), pelo Grupo de Conservação de Agrossistemas e Ecotoxicologia (CAE), do Instituto Federal Goiano.
A atividade orientou moradores sobre o uso correto de agrotóxicos, bioinsumos e equipamentos de proteção individual (EPIs). O objetivo é fortalecer práticas agrícolas mais seguras, sustentáveis e alinhadas à preservação da saúde e do meio ambiente.
Uso seguro de agrotóxicos e inclusão social
Segundo o coordenador do projeto e diretor-geral do IF Goiano – Campus Campos Belos, Althiéris de Souza Saraiva, a comunidade tem participado ativamente das ações.
“As atividades têm ocorrido de forma participativa, valorizando também os conhecimentos tradicionais da comunidade”, destacou.
Dezenas de moradores participam direta e indiretamente das atividades, entre agricultores familiares, trabalhadores rurais e jovens da comunidade. No povoado, são cultivadas culturas tradicionais da agricultura familiar, importantes para a subsistência e geração de renda local.
Participaram da capacitação estudantes do grupo CAE, pesquisadores, professores e parceiros institucionais vinculados ao projeto, além de representantes da comunidade quilombola e da empresa Agropecuária Gomes Lima.
De acordo com Althiéris, a iniciativa busca reduzir a exposição inadequada aos agrotóxicos e ampliar a conscientização sobre riscos ocupacionais no meio rural.
“A expectativa é fortalecer a saúde dos trabalhadores rurais por meio da correta utilização de EPI, do manejo responsável dos produtos e da adoção gradual de alternativas mais sustentáveis, como os bioinsumos”, afirmou.
O coordenador ressaltou ainda que o projeto pretende enfrentar desigualdades sociotécnicas em comunidades tradicionais e marginalizadas, onde o acesso à inovação ainda é limitado.
“Enquanto outras regiões recebem tecnologias avançadas e capacitações frequentes, nesses territórios muitas vezes faltam equipamentos básicos de segurança”, pontuou.
No aspecto ambiental, o projeto incentiva práticas agrícolas com menor impacto sobre o solo, a água, os polinizadores e a biodiversidade local. A ação também reforça a inclusão social e o acesso democrático ao conhecimento científico e tecnológico.
A iniciativa recebeu investimento de R$ 44,9 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). Os recursos foram destinados à aquisição de 100 EPIs e 10 pulverizadores costais com acessórios de turbonebulização.
O projeto foi selecionado no edital de Apoio a Projetos de Extensão de Instituições de Ensino Superior do Estado de Goiás nº 12/2025, voltado ao incentivo de ações de extensão universitária com impacto social em comunidades em situação de vulnerabilidade.
A ação é realizada em parceria com o Centro de Excelência em Bioinsumos (Cebio), o Instituto Federal Goiano – Campus Campos Belos, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Comunidade Quilombola do Povoado Cabeçudo e a Empresa Agropecuária Gomes Lima.
Para Althiéris, a integração entre pesquisa, ensino e comunidade fortalece soluções mais adequadas à realidade dos agricultores familiares.
“Esse diálogo entre ciência e comunidade é fundamental para promover um modelo de agro mais sustentável, participativo e socialmente inclusivo”, concluiu.
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Fonte: Agência Cora


