SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta sexta-feira (17), em meio ao otimismo dos investidores de que Estados Unidos e Irã irão alcançar um acordo de paz.
Às 11h41, a moeda norte-americana caía 0,47%, coatada a R$ 4,968. Na mínima do dia, chegou a R$ 4,950. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar a frente a outras seis divisas fortes, recuava 0,50%, a 97,72 pontos.
Já a Bolsa tinha perdas de 0,27%, a 196.268 pontos, pressionada pelo tombo do setor petroleiro em meio à queda do barril do petróleo Brent no exterior.
O ministério de Relações Exteriores do Irã anunciou nesta manhã, pelo horário de Brasília, a reabertura do estreito de Hormuz via marítima por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
“A passagem de todos os navios comerciais pelo estreito de Hormuz foi declarada totalmente aberta para o período restante do cessar-fogo”, afirmou Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em post na rede social X.
O ministro, porém, não deixou claro se o cessar-fogo a que se referia era o acordo entre Israel e Líbano, que começou às 0h do Líbano (18h de Brasília na quinta-feira) e deve se estender até 26 de abril, ou ao pacto entre EUA e Irã, que começou em 7 de abril e acaba no dia 21 deste mês.
A decisão foi elogiada por Donald Trump. “OBRIGADO!”, escreveu o presidente norte-americano na plataforma Truth Social.
Ele disse, contudo, que o bloqueio naval norte-americano continuará valendo para navios com petróleo do Irã enquanto um acordo não estiver fechado. As negociações poderão ser retomadas já neste final de semana.
O tráfego por Hormuz é uma das questões mais sensíveis do conflito. O Irã usou o controle militar que tem sobre a via para pressionar economicamente Trump, e os gargalos na cadeia energética global levaram à disparada do preço do petróleo para perto de US$ 120 o barril o dobro da previsão para a commodity neste ano antes do conflito.
A reabertura da via marítima animou o mercado. Os preços do barril do Brent estão em queda de mais de 10% e chegaram a ser negociados abaixo de US$ 90, o menor valor em um mês.
“Os comentários do ministro das Relações Exteriores do Irã indicam uma desescalada enquanto o cessar-fogo estiver em vigor. Agora precisamos ver também se o número de navios-tanque que cruzam o estreito aumenta substancialmente”, disse o analista do UBS Giovanni Staunovo.
Ainda nesta sexta, a consultoria Kpler, referência no monitoramento de tráfego marítimo, disse à agência France Presse que três petroleiros iranianos conseguiram furar o bloqueio naval, levando 5 milhões de barris de óleo para fora do golfo Pérsico na quarta-feira (15).
O cenário geopolítico foi o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nesta semana. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.
Nesta sexta, o sentimento do mercado é de cautela, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, mas “investidores estão mantendo apetite por risco”.
“Apesar das incertezas nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, que segue como ameaça à indústria petrolífera global, o fluxo de recursos externos para o Brasil permanece positivo.”
A queda do petróleo, porém, afeta fortemente as empresas petroleiras com negócios na Bolsa.
Nesta manhã, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras caíam 6,4% e 6,8%, respectivamente, cotadas a R$ 45,47 e R$ 50. Prio perdia 7,19%, seguida por Brava (6%) e PetroRecôncavo (3,4%).

