SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou estável nesta quinta-feira (16), com as negociações envolvendo EUA e Irã novamente no foco dos investidores. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 4,992, sem variação de valor em relação ao pregão anterior.
Após subir em grande parte do pregão, o dólar diminuiu a intensidade no fim da tarde, com falas do presidente norte-americano Donald Trump sinalizando conversas entre os países neste final de semana.
A Bolsa de Valores brasileira encerrou o dia em queda de 0,46%, aos 196.818 pontos, na contramão do avanço das ações da Petrobras.
A possível retomada das negociações de paz entre EUA e Irã permaneceu no radar dos analistas.
Nesta quinta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que um acordo entre os países está próximo de ser fechado e que a próxima reunião entre Washington e Teerã pode ocorrer neste fim de semana.
Ele ainda disse não ter certeza se o cessar-fogo precisará ser estendido. A trégua temporária, anunciada no último dia 7, tem previsão de durar 15 dias, isto é, até o dia 22 de abril.
Segundo Trump, o Irã teria concordado em entregar seu estoque de urânio enriquecido, parte importante do programa nuclear de Teerã.
Além disso, o republicano anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel. Trump disse ter firmado o acordo em conversas com o líder libanês, Joseph Aoun, e com o premiê Binyamin Netanyahu.
Israel abriu negociações diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993, mas excluiu o Hezbollah, facção libanesa apoiada pelo Irã. Na terça (14) houve a primeira rodada de conversas, com mediação dos EUA, em Washington.
“Os investidores estiveram em compasso de espera. Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações diplomáticas poderiam ser retomadas nos próximos dias, mas outras fontes afirmaram que o encontro poderia demorar mais. Então, o cenário é de dúvida”, diz Lucca Bezon, especialista em inteligência de mercado da StoneX.
O pregão desta quinta reforçou esse comportamento cauteloso. A maior aversão ao risco valorizou o dólar, que chegou a romper a barreira dos R$ 5 na máxima do pregão com cotação de R$ 5,014, em alta de 0,44%.
Na quarta-feira (15), o entusiasmo já deu mostras de reversão. Apesar do dólar ter se mantido estável durante grande parte da sessão, a Bolsa fechou em recuo de 0,46%.
O cenário geopolítico foi o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nesta semana. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.
O Brasil se valoriza neste contexto pelo diferencial de juros com os EUA e pela distância em relação ao conflito. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.
Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou. Na sexta (10), a moeda encostou nos R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor. Na segunda (13), o dólar rompeu o piso, patamar que não era alcançado desde 2024.
A corretora Ágora vê o dólar oscilante, com o cenário internacional ainda incerto, mas destaca a valorização de ativos brasileiros, pincipalmente pela exposição a commodities como petróleo.
Nesta quinta, a commodity avança com o clima de indefinição. As 16h50, o preço do petróleo Brent, referência mundial, subia 3,38%, a US$ 98,17, enquanto o barril WTI, avançava 2,40%, a US$ 93,47. A alta influencia na valorização das ações da Petrobras, que subiram até 4,19%.
Há, contudo, algumas incertezas. O bloqueio dos EUA ao estreito de Hormuz, determinado por Trump no domingo (12), continua.
O comando militar do Irã ameaça agir para conter o comércio pelo mar Vermelho caso o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do país não seja levantado.
A via tem sido utilizada por empresas para desviar das tensões entre os países, inclusive por companhias do agronegócio brasileiro.
No Brasil, o destaque também ficou para dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerada uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto). O indicador teve uma alta de 0,6% em fevereiro em relação ao mês anterior, segundo dado dessazonalizado. A expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,47%.
Apesar da alta, o IBC-BR demonstrou desaceleração em relação à alta de 0,86% em janeiro. “[O dado] reforça a leitura de que a economia ainda cresce, mas com um menor fôlego na margem”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Em conjunto com dados do IPCA de março, que registrou alta de 0,88% em março, os dados reforçaram a posição de vigilância do BC (Banco Central) em relação a trajetória da curva de juros hoje em 14,75%.
“Esse quadro costuma pesar sobre setores mais sensíveis a juros, mas também dá sustentação ao argumento de que o mercado seguirá calibrando expectativas de crescimento e Selic com muita cautela nas próximas semanas”, diz Araújo.

