Da Redação

A investigação contra o ginecologista Marcelo Arantes e Silva, suspeito de cometer crimes sexuais durante consultas médicas em Goiás, ganhou novos desdobramentos após declarações firmes da Polícia Civil. Para a delegada responsável pelo caso, há indícios claros de um comportamento reiterado e estratégico por parte do médico, o que levou à classificação dele como um “predador sexual”.

Segundo a delegada Amanda Menuci, os relatos das vítimas seguem um padrão semelhante, mesmo sem que elas tenham qualquer ligação entre si. De acordo com a investigação, o médico inicialmente buscava conquistar a confiança das pacientes com elogios e conversas aparentemente inofensivas. Em seguida, passava a fazer comentários íntimos e, gradualmente, avançava para contatos físicos sem consentimento.

Ainda conforme os depoimentos, os abusos ocorriam durante consultas ginecológicas, momento em que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade. Algumas mulheres afirmaram que o profissional realizava procedimentos invasivos que não tinham relação com o atendimento médico, incluindo toques indevidos nas partes íntimas.

Um dos casos mais graves relatados à polícia aponta que o médico teria cometido ato sexual dentro do consultório, após criar um ambiente isolado. Segundo a investigação, ele teria dispensado funcionários, marcado o atendimento para horários mais reservados e impedido a entrada de outras pessoas no local.

Até o momento, pelo menos cinco mulheres formalizaram denúncia — quatro em Goiânia e uma em Senador Canedo. No entanto, a Polícia Civil acredita que o número de vítimas pode ser maior, especialmente após a divulgação do nome e da imagem do médico, estratégia usada para encorajar outras possíveis vítimas a se manifestarem.

As investigações também revelam que os primeiros registros contra o ginecologista datam de 2017 e 2020, mas novas denúncias surgiram recentemente, indicando que os crimes podem ter ocorrido ao longo de vários anos.

Mesmo com as vítimas sendo adultas, o médico pode responder por estupro de vulnerável, já que, segundo a delegada, elas estavam em condição de fragilidade durante os atendimentos, o que limita a capacidade de reação.

A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do investigado, mas o pedido foi negado pela Justiça. Em contrapartida, foram impostas medidas cautelares, como a proibição de contato com as denunciantes e restrições de deslocamento. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina de Goiás suspendeu o direito do profissional de exercer a medicina.

A delegada reforça que o padrão dos relatos e a repetição das condutas são fundamentais para o avanço das investigações e faz um apelo para que outras possíveis vítimas procurem a polícia. O objetivo é ampliar o número de denúncias e fortalecer a responsabilização do suspeito.