SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O cantor MC Ryan, o empresário Chrys Dias e Débora Paixão, mulher dele, tiveram os perfis derrubados pelo Instagram depois de serem presos pela PF (Polícia Federal) em operação contra lavagem de dinheiro, na quarta-feira (15).

“Esta página não está disponível. O link em que você clicou pode não estar funcionando, ou a página pode ter sido removida”, é mensagem que aparece quando o usuário tenta encontrar o perfil de algum deles. A Meta, empresa controladora do Instagram, foi questionada e respondeu que não comentaria o caso.

Os três foram presos na quarta-feira (15) pela PF na Operação Narco Fluxo contra uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O esquema teria movimentado mais de R$ 1,63 bilhão.

Segundo a investigação, os recursos ilícitos tinham origem principalmente na exploração de jogos de azar não regulamentados, apostas de bets, rifas digitais clandestinas e práticas de estelionato digital. Há ainda indícios de utilização do esquema para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.

MC Ryan foi apontado como líder e beneficiário do esquema de lavagem. Segundo decisão judicial no processo, que tramita na 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, o artista utiliza empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com dinheiro arrecadado com apostas ilegais e rifas digitais.

A polícia afirma que ele criou maneiras para blindar seu patrimônio, transferindo participações societárias para familiares e laranjas. Ele usaria uma rede de operadores financeiros para disfarçar sua relação com o dinheiro ilícito de apostas antes de reinvesti-lo com a compra de imóveis de luxo, veículos, joias e outros ativos de alto valor.

O advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, que o defende, afirmou que não teve acesso ao procedimento, o que o impede de se manifestar sobre detalhes do caso. Ele ressaltou que Ryan é uma pessoa íntegra e que “todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.

A operação, batizada de Narco Fluxo, também também resultou na prisão de Raphael Sousa Oliveira, 31, dono da Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do país. A investigação aponta que ele recebia “altos valores” de integrantes do grupo em troca de serviços como operador de mídia -o que consistia na divulgação de conteúdos, promoção de apostas e gestão de imagem. Não foi especificado o valor recebido.

A reportagem tentou contato com a defesa por email e mensagem enviados às páginas administradas por Raphael, mas não houve resposta nesta quarta-feira.

O cantor MC Poze foi preso na mesma operação, que ainda deteve mais de 30 investigados. Seu advogado, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que desconhece o teor do mandado de prisão.