SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar sobe nesta quinta-feira (16), em um ambiente em que investidores permanecem atentos às negociações envolvendo EUA e Irã, mas já adotam uma postura mais cautelosa.
Dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerada uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), também estão no radar.
Às 11h43, a moeda norte-americana subia 0,24%, cotada a R$ 5,004, em linha com o avanço no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outros seis pares fortes, tinha alta de 0,15%.
No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,55%, aos 196.634 pontos, na contramão do avanço das ações da Petrobras.
A possível retomada das negociações de paz entre EUA e Irã permanece no radar, mas, sem novidades relevantes no conflito geopolítico, agentes do mercado passam a adotar uma postura de maior precaução.
A corretora Ágora vê o dólar em oscilação, com o cenário internacional incerto, mas destaca a valorização de ativos brasileiros, pincipalmente pela exposição a commodities como petróleo.
Nesta quinta, a commodity avança com o clima de indefinição. As 11h15, o preço do petróleo Brent, referência mundial, sobe 2,81%, a US$ 97,57, enquanto o barril WTI, avança 2,04%, a US% 93,16. A alta influencia na valorização das ações da Petrobras, que sobem até 2,50%.
No câmbio, a moeda americana ainda mantém os menores níveis desde de março de 2024, quando chegou a R$ 4,980, rondando o patamar de R$ 5.
Na última semana, o cenário de negociações impulsionou a busca global por ativos de risco. O comportamento beneficiou o fluxo para mercados emergentes, como é o caso do Brasil. A trégua retomou o fluxo de investimentos estrangeiros para os países.
O Brasil se valoriza pelo diferencial de juros com os EUA e pela distância em relação ao conflito. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.
Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou. Na sexta (10), a moeda encostou nos R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor. Na segunda (13), o dólar rompeu o piso, patamar que não era alcançado desde 2024.
Na última quarta-feira, o entusiasmo já começou a ser revertido, sem sinais claros de um progresso no cenário geopolítico.
“Os investidores estão em compasso de espera. Na terça-feira, dois dias atrás, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações diplomáticas podem ser retomadas nos próximos dois dias, mas outras fontes afirmaram que o encontro poderia ocorrer somente no final de semana. Então, sobra essa dúvida”, diz Lucca Bezon, especialista em inteligência de mercado da StoneX.
Na quarta-feira, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as conversas entre Estados Unidos e Irã estão em andamento e que o governo de Donald Trump está otimista com a possibilidade de um acordo para o fim do conflito.
“Continuamos muito engajados nessas conversas, vocês ouviram do vice-presidente [J. D. Vance] e do presidente [Trump] nesta semana que essas conversas estão sendo produtivas e estão em andamento”.
Algo similar foi dito por Trump na quarta em entrevista ao canal Fox. “Acho que isso pode acabar muito em breve. Vai acabar logo”, disse em referência ao conflito.
Há, contudo, algumas incertezas. O bloqueio dos EUA ao estreito de Hormuz, determinado por Trump no domingo (12), continua.
O comando militar do Irã ameaça agir para conter o comércio pelo mar Vermelho caso o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do país não seja levantado.
A via tem sido utilizada por empresas para desviar das tensões entre os países, inclusive por companhias do agronegócio brasileiro,
A medida dos EUA foi uma resposta à cobrança de pedágio feita pelo Irã para embarcações. Em vez de reabrir a passagem, como previsto na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela própria teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por barril de óleo transportado.
No Brasil, destaque para dados do IBC-Br, considerado um sinalizador do PIB. O indicador teve uma alta de 0,6% em fevereiro em relação ao mês anterior, segundo dado dessazonalizado. A expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,47%.
Apesar da alta, o IBC-BR demonstrou desaceleração em relação à alta de 0,86% em janeiro. “[O dado] reforça a leitura de que a economia ainda cresce, mas com um menor fôlego na margem”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Em conjunto com dados do IPCA de março, que registrou alta de 0,88% em março, os dados reforçam a posição de vigilância do BC (Banco Central) em relação a trajetória da curva de juros -hoje em 14,75%.
“Esse quadro costuma pesar sobre setores mais sensíveis a juros, mas também dá sustentação ao argumento de que o mercado seguirá calibrando expectativas de crescimento e Selic com muita cautela nas próximas semanas”, diz Araújo.

