SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar ronda a estabilidade nesta quarta-feira (15), com investidores acompanhando a possibilidade de retomada das negociações de paz entre EUA e Irã e mais cautelosos durante o pregão.

Sem grandes novidades no conflito geopolítico e com agenda de dados esvaziada, agentes do mercado mostram maior aversão ao risco.

Às 13h48, a moeda dos EUA subia 0,08%, cotada a R$ 4,996, em nível estável. No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,80%, a 197.091 pontos, revertendo parte dos avanços recentes.

Analistas continuam monitorando a possibilidade de negociações entre EUA e Irã. Entretanto, o otimismo que levou a moeda norte-americana a cair abaixo dos R$ 5 já começa a dar sinais de perda de fôlego.

“Nos últimos dias, temos observado um ambiente global de maior apetite por risco, o que vem beneficiando moedas de países emergentes, incluindo o real. Esse cenário positivo ainda persiste, mas começa a perder força diante da ausência de novos fatos”, diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a guerra com o Irã pode terminar em breve. “Acho que isso pode acabar muito em breve. Vai acabar logo”, disse em entrevista a um programa da Fox Business Network sobre o conflito.

Na terça, o vice-presidente do país, J.D. Vance, afirmou que as negociações entre os países, bem como o cessar-fogo de duas semanas, continuam de pé.

“Há muita desconfiança entre os EUA e o Irã, e isso não vai se resolver da noite pro dia”, disse Vance durante evento do Turning Point USA, grupo jovem pró-Trump cujo antigo presidente era Charlie Kirk, assassinado em 2025. “O cessar-fogo está de pé, e os negociadores iranianos [no Paquistão] queriam um acordo. Estou satisfeito com onde estamos”, afirmou o vice-presidente.

Além das negociações entre Irã e EUA, representantes do Líbano e de Israel se reuniram na terça-feira em Washington para iniciar uma negociação com o objetivo de interromper os ataques e a ocupação israelense no território libanês.

O encontro terminou sem um anúncio de cessar-fogo, mas com o compromisso de que Beirute e Tel Aviv realizarão tratativas diretas no futuro, sem mediação americana.

Líbano e Israel estão formalmente em guerra desde a criação do Estado judeu, em 1948, e poucas vezes trataram da relação por vias diplomáticas. Ainda que de fato histórica sob esse ponto de vista, a negociação desta terça foi vista apenas como um primeiro passo de reaproximação possível na tensa relação entre os vizinhos no Oriente Médio.

Tel Aviv realizou seu maior ataque ao Líbano no dia em que o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã foi anunciado. O ataque foi feito com o objetivo de enfraquecer o Hezbollah, facção libanesa apoiada pelo Irã.

Washington quer avançar no fim das hostilidades entre Israel e Hezbollah e pressiona Tel Aviv. Isso porque a trégua no Líbano é uma das condições de Teerã para um acordo de paz duradouro em seu território.

O cenário de negociações tem impulsionado o otimismo dos investidores, que ampliaram a busca global por ativos de risco. O comportamento beneficia o fluxo para mercados emergentes, como é o caso do Brasil.

A desvalorização recente do dólar é resultado desse cenário. O país se valoriza pelo diferencial de juros com os EUA e pela distância em relação ao conflito.

A isso se soma a retomada do fluxo de investimentos estrangeiros para países emergentes. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou: a trégua entre os países, anunciado em 7 de abril, reduziu a aversão ao risco global e reacendeu o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes.

O movimento se intensificou a partir da última semana. Na sexta (10), a moeda encostou nos R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor. Na segunda (13), o dólar rompeu o piso, patamar que não era alcançado desde 2024.

Há, contudo, algumas incertezas. O bloqueio dos EUA ao estreito de Hormuz, determinado por Trump no domingo (12), continua.

O comando militar do Irã ameaça agir para conter o comércio pelo mar Vermelho caso o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do país não seja levantado.

A via tem sido utilizada por empresas para desviar das tensões entre os países, inclusive por companhias do agronegócio brasileiro,

A medida dos EUA foi uma resposta à cobrança de pedágio feita pelo Irã para embarcações. Em vez de reabrir a passagem, como previsto na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela própria teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por barril de óleo transportado.

Ainda durante o pregão, pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de outubro repercute entre investidores brasileiros.

No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 37% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 32%. Bem mais atrás aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, e Romeu Zema (Novo), com 3%, entre outros candidatos.

No segundo turno, Flávio tem 42% e Lula soma 40%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.